Campanha diz de Dallagnol analisará sigilos de Lula, Lulinha, Janja e Marcola Lula Marques / Agência Brasil

A campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta quinta-feira (22) que escalará o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) para analisar a documentação da quebra de sigilos apresentada pelo presidente e adversário na corrida eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O comunicado destaca a atuação de Dallagnol, ex-procurador da República, como coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato.
Segundo a nota da campanha, o senador eleito também deverá examinar, fora as informações do presidente, os sigilos bancário, telefônico e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, da primeira-dama, Janja da Silva, do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e de "demais envolvidos em denúncias de corrupção".
O comunicado afirma ainda que a campanha pretende analisar "cada extrato" para rastrear as "inconsistências" das documentações. "Se Lula afirma não ter nada a esconder, a documentação precisa ser examinada com rigor", diz a nota.
Apesar do resultado nas urnas, a candidatura de Deltan Dallagnol para Senado Federal pelo Paraná ainda precisa ser analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-procurador estava inelegível por ter pedido exoneração do Ministério Público Federal em 2021, enquanto era alvo de processos disciplinares. Ele teve seu registro negado pelo ministro Floriano Marques, do TSE, na véspera do primeiro turno.
Na manhã do dia das eleições, o ministro Nunes Marques suspendeu a decisão e permitiu que Dallagnol pudesse concorrer, na condição de candidatura "deferida com recurso". Ainda não há uma data para o julgamento que vai analisar a validade do registro de candidatura do ex-procurador.

Desafio

Nesta quarta-feira (21), Flávio disse que aceitaria a quebra de sigilos proposta por Lula, mas que imporia condições. O desafio foi lançado pelo petista no debate do último domingo (18), quando anunciou que derrubaria os sigilos bancário, telefônico e fiscal dele, dos seus cinco filhos e de Janja, relativos aos últimos oito anos.
Em contrapartida, o adversário deveria fazer o mesmo com informações suas, do pai, Jair Bolsonaro, da mãe, Rogéria Bolsonaro, da esposa, Fernanda Bolsonaro, e dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, além das pessoais jurídicas das quais é sócio.
Na terça-feira (20), o petista protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a autorização para liberar os sigilos seus e de pessoas próximas. No dia seguinte, Flávio declarou que só aceitaria o desafio contanto que fossem abertos os dados do ex-assessor Marcola e o cartão corporativo da Presidência. O candidato do PL também exigiu a divulgação de informações sobre o patrimônio da família do presidente, as atividades do Instituto Lula e os registros de entrada de visitantes do Palácio da Alvorada.
Ainda na quarta-feira, a campanha de Lula afirmou que aceitaria as condições impostas pelo adversário. "Todas as condicionantes que ele [Flávio] colocou, a resposta do presidente é que ele não se opõe a absolutamente nada do que ele está propondo. Contanto que ele também cumpra e abra tudo que está no pedido protocolado junto ao TSE", disse Camilo Santana, coordenador da campanha petista.
Camilo Santana adicionou que o prazo para Flávio Bolsonaro protocolar no TSE a quebra dos sigilos seria às 11h desta quinta-feira. "Não pode deixar pra depois da eleição. O prazo é amanhã”, disse o coordenador da campanha na quarta.
* Reportagem do estagiário Victor Louro, sob supervisão de Isabelle Rosa