Flávio Bolsonaro também exigiu informações sobre o patrimônio da família do presidenteEvaristo Sá / AFP
Ao justificar a exigência sobre Marcola, Flávio afirmou que Lula não utiliza telefone celular e que as ligações destinadas ao presidente passam por pessoas próximas. O ex-chefe de gabinete atuava como um dos contatos de quem buscava falar com o petista
"Você não tem celular, sabe quem recebe as ligações com você? O Marcola. O Lula tem o Marcola lá do lado dele", disse o senador. "Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola."
Flávio também exigiu a divulgação de informações sobre o patrimônio da família do presidente, as atividades do Instituto Lula e os registros de visitantes do Palácio da Alvorada.
Ao cobrar transparência sobre o cartão corporativo, mencionou a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. "Lula, você vai tirar o sigilo que você botou em quem visitou o Alvorada?", questionou.
As declarações ocorreram um dia depois de a campanha de Lula protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para divulgar os sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente e de seus familiares. A liberação está condicionada à concordância de Flávio em fazer o mesmo em relação a si e à própria família.
O documento abrange os últimos oito anos e prevê a publicação das informações em uma plataforma de acesso público. A petição contém uma declaração formal de autorização, ainda sem os dados bancários, fiscais e telefônicos.
O desafio foi lançado por Lula durante o debate Band/Estadão de domingo, 18. Na terça-feira, 20, o petista voltou a cobrar a medida e afirmou que Flávio só poderia participar do debate da TV Globo se apresentasse o documento autorizando a quebra dos sigilos.
O encontro em Guarulhos foi realizado em local fechado e organizado pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Antes da fala de Flávio, Tarcísio afirmou que Lula estava com medo e procurava uma desculpa para faltar ao debate.
Aborto e STF
Ao abordar o tema, Flávio citou a ação apresentada pelo PSOL ao Supremo para descriminalizar a interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana de gestação. O candidato afirmou que Lula poderia indicar quatro ministros e, na avaliação dele, formar uma maioria favorável à medida.
O senador mencionou os votos de Rosa Weber e Luís Roberto Barroso, apresentados antes de suas aposentadorias, em favor da descriminalização do aborto nas primeiras 12 semanas de gestação Ao votar, Barroso afirmou que a discussão envolve o uso da punição criminal contra mulheres que interrompem a gravidez e defendeu que o tema seja tratado como questão de saúde pública.
"Desde a concepção tem vida", afirmou Flávio, ao defender sua posição contrária ao aborto.
O candidato também disse que impedirá novas indicações de Lula ao tribunal com uma vitória no segundo turno.
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