Alexandre Pato - Reprodução / Instagram
Alexandre PatoReprodução / Instagram
Por AFP

China - Uma menina morta, acusações de fraude, uma dezena de prisões: o Tianjin Quanjian, clube chinês no qual joga o atacante brasileiro Alexandre Pato, atravessa atualmente uma crise que poderia ser fatal.

No meio da tormenta, o atacante brasileiro de 29 anos e que chegou ao clube chinês para relançar a carreira no início de 2017, não sabe se continuará no país asiático na próxima temporada, que começa em março.

Embora o grupo farmacêutico Quanjian siga sendo o proprietário deste clube com sede na grande cidade portuária de Tianjin (norte), as autoridades assumiram o controle da entidade e a obrigaram esta semana a mudar de nome, rebatizando para "Tianjin Tianhai", segundo a imprensa oficial.

Sem dinheiro, o clube, que terminou na 9ª colocação (de 16) no último Campeonato Chinês, precisa agora lutar por sua sobrevivência e estaria disposto a vender jogadores para não afundar.

A queda do Tianjin Quanjian, que lutava pelo pódio do Campeonato Chinês há pouco mais de um ano, começou em final de dezembro.

A empresa proprietária do clube, especializada em medicina tradicional chinesa, foi questionada devido à morte de uma menina que sofria de câncer, há três anos.

A criança teria interrompido um tratamento por quimioterapia para se tratar exclusivamente com produtos do grupo farmacêutico. Ela faleceu em dezembro de 2015, aos 7 anos.

- 'Provavelmente rebaixado' -

O caso ganhou notoriedade após a publicação de uma matéria em dezembro do ano passado em um site dedicado a questões de saúde.

Compartilhada nas redes sociais, a história da morte desta criança provocou um grande alvoroço e levantou dúvidas sobre os produtos da Quanjian.

A empresa farmacêutica também é objeto desde 1o. de janeiro de uma investigação por suspeita de fraude por esquema de pirâmide financeira e propaganda enganosa, segundo a agência de notícia Xinhua.

O fundador da Quanjian, Shu Yuhui, está entre as pessoas presas pelo caso, segundo o diário oficial China Daily.

"Se o clube não encontrar um proprietário melhor para assumir a equipe, ela provavelmente será rebaixada", analisa Chen, torcedor do Tianjin desde os 6 anos de idade.

"E se daqui ao fim de 2019 nenhuma empresa se manifestar, a equipe poderia até ser dissolvida e os jogadores liberados de seus contratos", prevê o homem de 33 anos.

A maioria dos 16 clubes da Super League chinesa pertence a grandes grupos industriais, presentes no mercado imobiliário (Guangzhou Evergrande, Shandong Luneng), no setor financeiro (Beijing Sinobo Guo'an), no varejo de eletrodomésticos (Jiangsu Suning) ou na atividade portuária (Shanghai SIPG).

- Jogadores calados -

Como símbolo do péssimo momento que atravessa o Tianjin Quanjian, a bandeira marrom, azul e ouro do clube foi retirada nos últimos dias da sede do clube.

Este período contrasta com a situação do clube há apenas um ano. A equipe havia terminado um novembro de 2017 na terceira colocação do Campeonato Chinês sob o comando do técnico italiano Fabio Cannavaro.

Alexandre Pato fazia parte de um eficiente ataque ao lado do francês Anthony Modeste, que reforçou o Tianjin Quanjian depois de deixar o Colônia alemão por uma bela quantia de dinheiro.

O Tianjin também contratou a preço de ouro o meia belga Axel Witsel (20 milhões de euros), vendido em seguida ao Borussia Dortmund em 2018.

Pato, que atualmente realiza a pré-temporada nos Emirados Árabes Unidos, é agora a única estrela do time, mas, assim como os companheiros, teria sido proibido de comentar publicamente a situação do clube, segundo a imprensa chinesa.

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