A jogadora de vôlei Tiffany, do Bauru - NEIDE CARLOS/VÔLEI BAURU
A jogadora de vôlei Tiffany, do BauruNEIDE CARLOS/VÔLEI BAURU
Por O Dia

São Paulo - No início desta semana, a primeira jogadora transexual a atuar na Superliga Feminina de Vôlei, Tiffany, viu seu nome ser envolvido em uma polêmica com o técnico Bernardinho e com a ex-jogadora Ana Paula. Em um vídeo ao vivo no Instagram, a atleta, do Sesi-Bauru, que foi chamada de "homem" pelo treinador, resolveu se pronunciar sobre o caso.

Durante uma jogada de ataque da equipe de Bernardinho, o Sesc-RJ, Tiffany utilizou sua força no bloqueio para garantir o ponto para o time paulista, o que fez com que o técnico falasse: "Um homem é f*".

"O Bernardo não falou nada demais comigo. (...) Já teve jogo em que disseram: ‘não saca na Tiffany porque ela ainda tem o toque masculino’, e a mídia não crucificou esse técnico como está crucificando ele. Acho injusto por parte da mídia tentar crucificar uma pessoa por não ter feito nada de grandioso. (...) Nós estamos muito bem com o outro, não adianta tentar fazer reportagem, pois não vai ter nenhuma intriga”, declarou Tiffany.

Após a má repercussão fez Bernardinho pedir desculpas a atleta: "Não foi minha intenção de forma alguma ofendê-la, me referia ao gesto técnico e ao controle físico que ela tem, comum aos jogadores do masculino e que a maior parte das jogadoras não tem. Sempre trabalhei e tentei ajudar com meu trabalho diversos jogadores e jogadoras sem qualquer tipo de preconceito. À Tiffany dou meus parabéns pela grande atuação e conquista e a todos q se sentiram ofendidos reitero minhas desculpas pois jamais foi a minha intenção".

Tiffany também falou sobre Ana Paula, que usou as redes sociais para apoiar o técnico e atacar o que ela chama de "minoria barulhenta que quer empurrar a todo custo que sentimentos são mais importantes que fatos e biologia".

"Na Jovem Pan, o senhor Caio Coppolla leu aquela antiga carta daquela moça oportunista que tentou novamente aparecer após tentarem colocar essa polêmica do Bernardinho, a dona Ana Paula, que nem no Brasil reside. Senhora Ana Paula, você nem reside no Brasil. Você reside nos EUA, você se considera uma mulher americana. Então, minha senhora: vá cuidar das trans que jogam a Superliga americana, universitário americano, e os torneios americanos. Porque aí tem muitas trans jogando no esporte, e você não entra em contato com nenhuma e não tenta derrubar nenhuma. Por que você quer derrubar eu aqui no Brasil e quer falar coisa comigo aqui?", disparou a jogadora trans, que depois completou:

"Não cheguei e implorei: ‘tenho que jogar na Superliga Feminina’. É lei que já existe, para todas as mulheres trans, porque todas as mulheres são mulheres. E não é qualquer mulher trans que pode jogar: primeiro você tem que ter talento, segundo tem que ter nível, terceiro tem que estar nas regras. Não é toda a mulher trans que está nas regras, não é toda mulher trans que tem nível, nem toda mulher trans que está apta a jogar voleibol na Superliga. Então, antes de falar sobre o assunto, vai estudar sobre isso. E olha: beijo para você, para mim você não existe e vai continuar não existindo".

Você pode gostar
Comentários