Repórter do SporTV e da Globo 'não se cala' e fala sobre músico morto por soldados do Exército

Evaldo Rosa dos Santos, de 51 anos, morreu após seu carro ser fuzilado por militares

Por O Dia

Fabiola Andrade é repórter do SporTV e da Globo
Fabiola Andrade é repórter do SporTV e da Globo -

Rio - A morte do músico Evaldo Rosa dos Santos, de 51 anos, por soldados do Exército no último domingo, chocou o Brasil. A repórter Fabiola Andrade, do SporTV e da TV Globo, não conseguiu "se calar" diante do assunto e postou um texto de desabafo em sua conta no Instagram.

"Esse texto não é meu, mas é exatamente o que penso. Hoje não poderia me calar. Desculpe. Dói muito", escreveu Fabiola. A própria repórter ressaltou que o texto, que pode ser lido mais abaixo, não é de sua autoria, mas o autor não foi mencionado.

"80 tiros. Foi o que o exército disparou. Vou repetir: 80 tiros. Contra uma família. Inocente. E ainda debocharam deles depois do massacre. O perfil das vítimas a gente já sabe, né? A gente sempre soube e nunca faltou aviso. Negros. Pobres. Da periferia/subúrbio. Você pode ficar de luto, abatido, consternado, desolado e sem esperança. Mas você não pode ficar surpreso. Nem perplexo. Porque todo mundo sabia que isso iria acontecer. E não foi por falta de aviso. Foram OITENTA TIROS. Numa família que seguia para um chá de bebê".

Nesta segunda-feira, o Exército prendeu em flagrante 10 militares envolvidos na morte do músico. O delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios (DH-Capital), disse que "tudo indica" que os militares do Exército fuzilaram o carro da família de Evaldo ao confundir com um veículo de criminosos. Ele estava com a família — a mulher e uma criança de 7 anos — indo para uma festa quando o automóvel foi atingido por mais de 80 disparos.

Em nota, o Comando Militar do Leste (CML) disse que ouviu até o momento 12 militares, prendendo 10 deles em flagrante. Além das prisões, envolvidos foram afastados do Exército e prisões ocorreram ' em virtude de descumprimento de regras de engajamento'. Também foi ouvido uma testemunha civil, não identificada.

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