Predestinado, Gabigol dá a Liberta à Nação

Atacante faz dois gols em três minutos, decreta a virada histórica por 2 a 1 sobre o River Plate e leva o Flamengo ao título continental após 38 anos

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Na entrada de Flamengo e River-Plate-ARG no gramado do Estádio Monumental de Lima, Gabigol foi o único a tocar na taça da Libertadores, quase como um prenúncio do gesto que repetiria ao fim do jogo. Foram dele os dois gols da histórica vitória por 2 a 1, sofrida e de virada, sobre os argentinos. Ele deixou o Peru como o melhor em campo, mas expulso. Nada que estragasse a festa ou segurasse o grito de bicampeão, preso há 38 anos na garganta de todo flamenguista.

O torcedor rubro-negro tem a consciência de que não foi fácil igualar o feito da icônica geração de craques presentes na conquista de 1981. Quem teve o privilégio de ver Leandro, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Zico e Nunes em ação certamente sentiu falta dos ídolos nos piores momentos do jogo para o Flamengo. Mas a geração que prestigia Rodrigo Caio, Gerson, Arrascaeta, Everton Ribeiro e Gabigol não perdeu a esperança nos heróis do presente.

O gol de Borré, com apenas 14 minutos de bola rolando, teve a sensação de um soco no estômago para todos, em campo e na arquibancada. A indecisão de Gerson e Arão na disputa da bola abriu o caminho para os argentinos se aproximarem do título. Dono de números avassaladores em 2019, o Flamengo sentiu o impacto de encarar um tetracampeão da Libertadores. Enzo Pérez, com botes cirúrgicos e passes precisos, sintetizou o irretocável primeiro tempo do River.

Milagre no intervalo

Acostumado a ditar o ritmo em seus jogos, o Rubro-Negro foi anulado taticamente, pressionado pela implacável marcação, que forçou erros técnicos e de concentração. Uma prova de que Marcelo Gallardo fez o dever de casa para a decisão. Além da qualidade e experiência do River Plate-ARG, o relógio passou a ser outro adversário a ser batido. O fim do primeiro tempo trouxe um certo alívio, em meio à tensão em Lima.

A dificuldade não diminuiu no segundo tempo, mas renovou a esperança do Flamengo pelos ajustes de Jorge Jesus. O posicionamento de Gerson mais à frente melhorou a saída de bola, e originou a primeira finalização de Gabigol, sem perigo. O torcedor ficou apreensivo quando Gerson deixou o campo machucado. Diego não perdeu a oportunidade, após acumular frustrações em decisões pelo clube.

A entrada do camisa 10 foi importante. O mesmo não se pode dizer das mudanças de Gallardo, que tentou abrir a equipe com os atacantes Álvarez e Pratto. Desgastado pelo ritmo imposto, o River teve dificuldade para controlar o crescimento do Flamengo, inevitável no fim do jogo. Em três minutos, o sonho que 40 milhões de torcedores alimentaram nos últimos 38 anos foi definido. Apagado, Gabigol, aos 43, escorou o passe de Arrascaeta e empatou. Aos 46, aproveitou o lançamento de Rodrigo Caio, ganhou de Pinola e fuzilou Armani, repetindo o feito de Zico, autor dos dois gols da vitória sobre o Cobreloa-CHI, por 2 a 1, na final da Libertadores de 81, no mesmo dia 23 de novembro, e também como artilheiro, com nove gols contra 11 do Galinho, à época.

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