Gian Oddi é jornalista da ESPNReprodução/Instagram

Rio - O jornalista Gian Oddi, um dos afastados pela ESPN após fazer críticas à gestão do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, se pronunciou pela primeira vez, nesta quarta-feira (9), para comentar o caso. Por meio de um vídeo publicado no Instagram, o comunicador confirmou que retornará ao programa "Linha de Passe" na quinta (10) e revelou a justifica que ele e seus colegas receberam da emissora.
"A respeito do afastamento, a argumentação que a gente recebeu é que um programa do gênero, até para que a direção da ESPN possa estar preparada para as consequências e possa saber já argumentar em relação às consequências que um programa do gênero acaba tendo, certos processos precisam ser seguidos", disse o jornalista.
"E esses processos de informação mesmo internos da empresa não foram seguidos. Essa foi a argumentação. A gente acatou, ficou dois dias fora. Estaremos de volta nesta quinta-feira. E repito: eu volto para o Linha de Passe agindo e trabalhando da maneira que eu sempre agi", completou.
A ESPN decidiu afastar os jornalistas Dimas Coppede, Gian Oddi, Paulo Calçade, Pedro Ivo Almeida, Victor Birner e William Tavares. Isso porque, durante o programa "Linha de Passe" da última segunda-feira (7), eles debateram as denúncias publicadas pela "Revista Piauí" sobre o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.
A entidade, que possui uma parceria comercial com a emissora pela transmissão da Série B do Brasileirão, exigiu providências, de acordo com informações do "UOL".
Segundo a denúncia da "Piauí", o mandatário da entidade aumentou o salário dos presidentes das federações do futebol brasileiro de R$ 50 mil para R$ 215 mil. Ednaldo estaria aproveitando a posição para fortalecer relações com cartolas e também com políticos, tudo às custas da confederação, com objetivos pessoais visando, por exemplo, a reeleição.
Na Copa do Mundo de 2022, que aconteceu no Catar, Ednaldo teria bancado, às custas da CBF, hotel cinco estrelas e cartão corporativo de até R$ 2,5 mil por dia para um grupo de 49 pessoas, incluindo congressistas. O próprio presidente da confederação teria aproveitado das mordomias junto com a mulher, a filha, a cunhada, o gen­ro e os dois netos.

Veja o vídeo e a declaração na íntegra:


Fala, pessoal. Tudo bem?
Estou gravando esse vídeo para tratar da matéria que saiu hoje de manhã no Uol e depois em vários outros lugares a respeito do nosso afastamento por dois dias da programação da ESPN, depois do Linha de Passe da última segunda-feira.
Primeiro, quero dizer que eu volto ao Linha de Passe na quinta-feira, não só eu, como os meus colegas. E, sinceramente, se eu volto ao Linha de Passe nesta quinta, é porque eu tenho a consciência de que a gente vai poder continuar falando as coisas da maneira como a gente sempre falou, com a liberdade que eu sempre tive desde que entrei na ESPN, há mais de 15 anos, contratado pelo (José) Trajano.
Isso, para mim, é uma premissa fundamental do nosso trabalho. Se não for para ser assim, eu, sinceramente, não voltaria. Talvez nem a ESPN faria jornalismo esportivo, porque é uma parte importante do que a gente faz. Acho que não é só isso, mas é uma parte bastante importante do que a gente faz. Eu vou continuar agindo dessa maneira.
A respeito do afastamento, a argumentação que a gente recebeu é que um programa do gênero, até para que a direção da ESPN possa estar preparada para as consequências e possa saber já argumentar em relação às consequências que um programa do gênero acaba tendo, certos processos precisam ser seguidos. E esses processos de informação mesmo internos da empresa não foram seguidos.
Essa foi a argumentação. A gente acatou, ficou dois dias fora. Estaremos de volta nesta quinta-feira. E repito: eu volto para o Linha de Passe agindo e trabalhando da maneira que eu sempre agi. É isso aí.
Então, a gente se vê na quinta, logo depois da rodada da Libertadores e da Sul-Americana no Linha de Passe. Valeu, um abraço.