Em nota em seu site oficial, John Textor volta a atacar órgão regulador francêsJEFF PACHOUD / AFP

França - Afastado da presidência do Lyon, John Textor, voltou a criticar a Direção Nacional de Controle a Gestão (DNCG), órgão que regula o futebol francês. Em nota publicada em seu site, nesta quarta-feira (23), o americano caracterizou a punição de rebaixamento por falta de garantias financeiras pelo clube como "um dos atos mais extremos de intervenção de órgãos dirigentes na história do futebol europeu".
O dono da Eagles Holding se diz punido por seu modelo de gestão e pela sua "corrente de oposição consistente e agressiva" contrária aos rumos atuais do futebol francês.  Em discussões sobre reforma da League 1 (Liga Francesa), Textor havia defendido a abolição da DNCG e a sua substituição por novas regras.
"A ideia de que eu defenderia a abolição e substituição da DNCG, quando nosso clube estava (injustamente) em uma posição tão precária com esse mesmo órgão, foi simplesmente imprudente. Nunca imaginei que a DNCG se afastaria tão materialmente dos princípios aceitos de "continuidade operacional" e análise de sustentabilidade, a ponto de emitir uma das opiniões mais punitivas sobre a comunidade de Lyon, em grande parte (acredito) para servir aos interesses protecionistas de indivíduos e forçar uma mudança na liderança do nosso clube", disse em carta.
Na carta, o americano atacou diretamente as declarações do presidente do órgão, onde disse que, na época gerido por John Textor, o Lyon não havia dado as garantias legais de fluxo de caixa necessários para se adequar às regras da Liga Francesa. 
O "Cowboy", como se intitulou respondendo às críticas a sua forma de agir, negou veementemente a decisão e disse que "a matemática da nossa submissão original ao DNCG se tornará transparente com o tempo" e como havia dito em comentário nas redes sociais, que o presidente "conta 240 milhões de fluxo de caixa confiável como "zero""
"Contrariando os princípios das "avaliações de continuidade operacional", os auditores da DNCG romperam com os padrões de auditoria universalmente aceitos, invalidando arbitrariamente 70 milhões de euros em receitas contratadas, 120 milhões de euros em fluxos de caixa historicamente comprovados do Eagles/Botafogo, 100 milhões de euros em receitas recorrentes com transferências de jogadores, 55 milhões de euros em cartas de compromisso de apoio de acionistas respeitados, 40 milhões de euros em reservas prometidas pela venda do Crystal Palace... até mesmo o acréscimo de 55 milhões de euros em caixa, em meados de junho, proveniente de uma injeção única de capital e da venda de um jogador-chave", argumentou.
"Prometi que o principal acionista, a Eagle Football Holdings, sempre seria capaz de apoiar a sustentabilidade do Olympique Lyonnais. Prometi que os acionistas da Eagle sempre teriam a capacidade de apoiá-lo, como demonstravam suas cartas de compromisso – e, no final, essas mesmas promessas se concretizaram", finalizou.
Sob nova gestão, da magnata Michele Kang, o Lyon conseguiu reverter a punição de rebaixamento e garantir sustentabilidade financeira para os próximos anos. Classificado para Europa League, o clube e sua principal financeira, Eagles Holding, tentam se reestruturar após a crise administrativa entre temporadas.
Expulso do futebol francês, John Textor alegou que vai focar suas energias inteiramente ao Botafogo. Entretanto, até no Glorioso sofre com a crise de sua empresa. Na última quinta feira (17), o americano teve uma tentativa de afastamento da presidência da SAF do clube pela Eagles Holding, que foi barrada pelo conselho associativo do time.
Campeão da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro em 2024, os conselheiros do Alvinegro confiam e acreditam na direção do Textor.