Zagueiro PV reagiu a injúria racial com soco em adversárioReprodução

O Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) definiu as punições aos jogadores envolvidos no episódio de injúria racial Taça FPF. O volante Diego, ex-Batel, pegou pena de sete partidas de suspensão por chamar o adversário de 'macaco', enquanto a vítima, o zagueiro PV, do Nacional-PR, está suspenso por 10 partidas por agressão e cusparada.
Em decisão unânime, Diego também terá de pagar multa de R$ 2 mil. Já os votos de PV ficaram divididos em relação ao soco que deu e que rendeu quatro jogos de suspensão, mas todos os auditores concordaram na pena de seis partidas pela cusparada.

Reação em campo e protocolo antirracismo

O caso aconteceu em uma disputa de escanteio, quando PV cuspiu em Diego e, em seguida, foi alvo da ofensa racista. O árbitro Diego Ruan Pacondes da Silva aplicou o protocolo antirracismo da Fifa, ao cruzar os braços em “X” e interromper a partida.
PV acabou expulso, enquanto Diego foi levado ao hospital após levar o soco.

Votos e decisão unânime

Os auditores Bruno Cavalcante, José Mario Pirolo Neto e Carlos Roberto da Silva votaram de forma idêntica: sete jogos e multa de R$ 2 mil para Diego, além de dez partidas de suspensão para PV. Apenas o auditor José Leandro Scandelari divergiu parcialmente, absolvendo o zagueiro pelo soco, mas mantendo a punição de seis jogos pela cusparada.

Clube absolvido e reações

O Batel, denunciado por suposta omissão e que demitiu Diego após o jogo, foi absolvido por unanimidade. O presidente do clube, Leonardo Mattos Leão, comemorou a decisão e reforçou o repúdio a qualquer tipo de discriminação.
"Reiteramos nossa postura de tolerância zero a qualquer tipo de preconceito ou discriminação. Foi um julgamento farto de provas e muito técnico, onde todo o contexto apareceu e ficou muito claro", afirmou.
O Nacional-PR, por sua vez, anunciou que vai recorrer. “O clube tomará todas as medidas judiciais cabíveis, para que de fato a Justiça seja feita, renovando seu compromisso contra quaisquer práticas de atos discriminatórios”, disse o advogado Marlon Lima, em nota.