Oscar Schmidt em ação pelo BrasilAntonio Scorza / AFP
Publicado 17/04/2026 21:49 | Atualizado 17/04/2026 22:54
Rio - O ex-jogador e técnico Zé Boquinha exaltou Oscar Schmidt, que morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos. Em entrevista ao DIA, José Roberto Lux destacou a vontade do Mão Santa em ser um grande jogador e o colocou como um dos maiores arremessadores de basquete que ele já viu.
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"Oscar Schmidt deixa um legado de um jogador que se tornou um ídolo mundial, reconhecimento mundial por tudo o que fez, pela obstinação, pela disposição, pela vontade, pela tenacidade de ser um grande jogador. Quando começou a jogar, tinha algumas limitações técnicas, mas foi melhorando, se condicionando, treinando muito, principalmente de arremessos. Tornou-se, com isso, uma lenda de arremessos, um dos maiores arremessadores de basquete que eu vi na minha vida", disse Zé Boquinha, comentarista da ESPN.
"Carreira fantástica e tive o privilégio de conviver com ele, sempre estar no telefone. Quando ele foi para o Flamengo, eu tinha saído. Ele me ligou para saber como era lá. A gente tinha um belo relacionamento de amizade, de frequentar a casa dele", completou posteriormente.
Ele também relembrou com carinho da oportunidade que teve de trabalhar com Oscar: "Eu fui técnico dele no Corinthians, tive esse privilégio durante uma temporada. Até armava as jogadas especiais para ele, queria que ele chutasse muito mais bola do que qualquer outro jogador, dada a eficiência dele fantástica. Deixa o exemplo de jogar pela seleção brasileira como se não tivesse amanhã. Era ganhar ou ganhar".
Um dos momentos mais marcantes da história de Oscar Schmidt foi no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis. O Brasil venceu os Estados Unidos por 120 a 115 para conquistar o ouro. O Mão Santa anotou 46 pontos. 
"Acho que o maior feito dele foi justamente a conquista do Pan-Americano de Indianápolis. Foi a primeira vez que que uma seleção norte-americana perdia alguma coisa em casa. Era uma seleção universitária, mas com grandes jogadores, a maioria deles foi para a NBA, inclusive o David Robinson, que foi uma das grandes estrelas do San Antonio Spurs (time da NBA). Essa conquista eu acho que foi a que emoldurou a vida dele. Ele teve grandes conquistas, mas essa foi a que marcou o Oscar", afirmou Zé.
Oscar não jogou na NBA. Ele chegou a ser escolhido no recrutamento de jogadores de 1984 pelo New Jersey Nets, atual Brooklyn Nets, mas recusou. Na época, havia uma regra da Federação Internacional de Basquete (FIBA) que proibia atletas de da liga norte-americana de atuarem pela seleção nacional. O Mão Santa não quis deixar de defender o Brasil.
"Eu falei agora na ESPN, a gente fala muito no futebol, por exemplo, 'po, o Zico não ganhou o Mundial. Aí o pessoal fala 'azar do Mundial'. Azar da NBA o Oscar não ter ido porque ele cairia como uma luva, a NBA já tinha a bola de três e não era muito utilizada. Acho que seria uma sensação num time médio, que era o New Jersey Nets".
Durante a entrevista, Zé revelou uma história de Oscar com o Dream Team dos Estados Unidos.  
"Os Estados Unidos levaram o Dream Team para Barcelona, em 92, para jogar. O Oscar jogando contra o Dream Team era marcado de uma maneira brutal. Os caras seguravam a camisa dele... Ele me contou, em 96, quando voltou da Olimpíada de Atlanta, eu já era técnico do Corinthians e ele voltou para se juntar. Ele falou: 'Zé, o Scott Pippen, Charles Barkley... Os caras seguravam a minha camisa, pisavam no meu pé, não deixavam chegar na bola; 'Eu falava, ô, vocês estão loucos?'; 'Não, o técnico mandou, você é um perigo, não podemos deixar você livre' (risos). São detalhes que temos dele".
*Com a colaboração do repórter Rodrigo Souza
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