Renato Paiva em ação durante duelo entre Botafogo e Palmeiras, no Lincoln Financial FieldVítor Silva / Botafogo
Renato Paiva cita 'orgulho' do Botafogo e vê eliminação decidida 'no detalhe'
Glorioso perdeu para o Palmeiras nas oitavas de final e deu adeus ao Mundial de Clubes
Estados Unidos - Técnico do Botafogo, Renato Paiva analisou a eliminação nas oitavas de final no Mundial de Clubes para o Palmeiras, neste sábado (28). O Glorioso não fez bom jogo e perdeu para o Verdão por 1 a 0, no Lincoln Financial Field. O comandante, porém, ressaltou o orgulho que sente da campanha alvinegra no torneio internacional.
"O primeiro sentimento que me veio assim que o árbitro apitou, independentemente se tivesse vencido ou perdido, é de orgulho. Pelo trajeto que fizemos até aqui, pelo que os jogadores fizeram, a capacidade de jogar contra uma equipe forte e que conhecemos bem. O jogo seria definido nos detalhes. O jogo se divide em dois momentos, uma entrada muito forte do Palmeiras, que já esperávamos e depois, aos poucos, fomos tendo bolas e começamos a criar perto do gol. Foi uma primeira parte praticamente sem grandes oportunidades, como pensei", declarou o português em entrevista coletiva.
"Sem soar como desculpa, nós enfrentamos um Seattle que tem um treinador com um tempão no clube, depois um Luis Enrique com um trabalho sustentado de alguns anos, Simeone com 15 anos. Agora o Abel com esse trabalho. Do outro lado está um time com um treinador há poucos meses, em construção. Que tem jogadores chegando, alguns de um Botafogo campeão da Libertadores. Para mim o orgulho está nisso. Conseguirmos em poucos meses olhar nos olhos, fazer os resultados que fizemos e ainda hoje fazer o que fizemos contra um time que se conhece de olhos fechados. Nos deixa orgulhosos de termos perdido nos detalhes", ponderou.
O gol da vitória dos paulistas foi de Paulinho, no primeiro tempo da prorrogação. Renato Paiva fez questão de destacar o alto investimento do clube não só no atacante (cerca de R$ R$ 115 milhões), mas em reforços no geral.
"Fiquei com a frase do meu amigo Abel, que falou no investimento que o Botafogo fez nesses jogadores. O Botafogo não tem nenhum jogador que custou o valor do Paulinho. Nem do Vitor Roque. É muito bonito mandarmos para cima dos outros essas coisas, ele gosta muito disso. Parece que do outro lado não tem investimento, é só contar quantos jogadores chegaram. Nós temos jogadores que chegaram e de fato foram um ótimo investimento do John e do departamento de scouting, que chegaram agora e vamos começar a trabalhá-los com tempo para entrosá-los. Essa do Abel eu não compro, porque não temos nenhum jogador do custo do Paulinho", disse.
. Poucas chances no jogo: " A postura do Palmeiras já sabíamos como é. Defensivamente é uma equipe muito forte e que não sofre muitos gols. Queríamos controlar a entrada forte do Palmeiras não mexendo muito no que é nossa estrutura. De fato, não tivemos muito a bola no início, por mérito do Palmeiras e também por estratégia, para depois eu poder lançar outros jogadores, como Montoro e Joaquín Correa, que têm muito talento, mas não se coloca um jogador de paraquedas, sem trabalho, contra uma equipe que conhecemos de olhos fechados. Não seria um jogo de muitas oportunidades".
"O Palmeiras pode ter tido uma ou duas oportunidades a mais que a gente. Depois do gol, eles recuaram naturalmente e mesmo assim tivemos nossas oportunidades. Entendo que as pessoas têm alguma pressa em ver os novos jogadores, mas eles nos dão algumas coisas e nos tiram outras. Não queria isso. Queria que o jogo avançasse para que eu os lançasse nesse momento".
. Recado para a torcida: "O trabalho que o Botafogo fez nos Estados Unidos tem que orgulhar a quem é verdadeiramente botafoguense. Todos queríamos ganhar, mas em nada ficamos atrás do Palmeiras. Houve momentos em que o Palmeiras esteve por cima, em outros nós estivemos. Depois do gol, nossa reação é mais forte. Para uma equipe que tem alguns meses de trabalho com essa comissão técnica, que recebeu jogadores novos, jogar de olhos nos olhos contra todas essas equipes, dentro das armas estratégicas que tínhamos, só tem que orgulhar nosso torcedor. O que vem por aí é promissor para esse grupo. No vestiário, os jogadores estavam em silêncio e cabisbaixos, inconformados. É um grupo de campeões, que quer ganhar, mas vou proibir que olhem para o chão, têm que levantar a cabeça e olhar para cima. O mundo hoje conhece melhor o Botafogo e isso deve-se muito ao trabalho que eles fizeram".
. Abel surpreendeu?: "Não me surpreendeu nada. Uma equipe muito compacta, que duela muito. No jogo físico e nos duelos é muito forte. Estava organizada por ele há algum tempo, jogadores que jogam de olhos fechados. Sabia que buscariam essas bolas diagonais no Estevão para procurar o 1 contra 1. Analisamos o Palmeiras e eles eram a terceira equipe no Mundial que mais cruzava na área, aí também a entrada do Danilo. O Palmeiras quando cruza coloca três ou quatro jogadores na zona de classificação e não queríamos ser surpreendidos".
"Algumas vezes eles elaboram e outras mudam e fazem um jogo que em dois passes colocam a bola na área. Era esse tipo de jogo que queríamos contrariar. Deixamos eles ficarem mais confortáveis em alguns momentos atrás e sabíamos que buscariam o um contra um dos pontas, bolas longas no Vitor Roque e no Estevão sempre que tentávamos pressionar mais alto. Foi mais estratégico, não me surpreendeu praticamente ou nada aquilo que o Abel fez na preparação do jogo. Foi um Palmeiras igual a ele mesmo e acho que conseguimos controlar em alguns momentos, outros não".

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