Carlos Augusto Montenegro é ex-presidente do Botafogo Vitor Silva/Botafogo

Rio - As divergências entre John Textor e a Eagle Football ganharam um novo capítulo. Em áudio que circula nas redes sociais, o ex-presidente do Botafogo Carlos Augusto Montenegro disse que o norte-americano "está tentando ficar" com o Glorioso, mas sua condição financeira não sustenta isso. A informação foi publicada primeiro pelo "ge".
"O Textor, agora, está tentando sair fora da Eagle. Na verdade já saiu no papel, parece que é isso. Mas está tentando ficar com o Botafogo. Só que ele precisa de dinheiro. Ele, pessoa física, não tem dinheiro, e está tentando falar com outras pessoas para ajudar a comprar. A Ares não quer negociar muito com ele, mesmo ele tendo dinheiro. Deve ter feito algumas e outras coisas não muito interessantes", afirmou Montenegro.

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O empresário ainda assina as atas como proprietário da Eagle, mas já não toma mais as decisões. Em um movimento conjunto com a Ares, a empresa sugeriu, há três semanas, que o americano comprasse de volta as ações do Alvinegro que estão sob posse do fundo de investimento.

Para que a revenda das ações ocorra, Textor precisaria se afastar do Botafogo temporariamente, já que a Justiça enxerga o movimento como um duelo de interesses, por ser proprietário do Alvinegro e da Eagle.
Para a diretoria do Glorioso, porém, a proposta é uma tentativa de retirá-lo do comando e, além disso, alterar o conselho para nomear um novo representante. O clube social e os funcionários barraram a investida com uma carta enviada à Eagle, defendendo a permanência de Textor.

O atual presidente do clube social do Botafogo, João Paulo Magalhães, que é aliado do americano, já havia deixado clara sua posição em conversas com representantes da Ares e da própria Eagle.
John Textor em jogo do Botafogo - Vitor Silva / Botafogo
John Textor em jogo do BotafogoVitor Silva / Botafogo

Veja a transcrição do áudio

Esse fundo de investimentos, que é o segundo maior dos Estados Unidos... O John Textor os procurou, e eles destinaram, dos US$ 500 bilhões que têm, US$ 10 bilhões pra investir no esporte. Uns 3 bi por ano a partir de 2022. O Textor conseguiu se aproximar desses caras e pegou US$ 450 milhões para a Eagle, e a razão principal foi para comprar o Lyon na França.
A Ares foi na lábia do Textor e colocou US$ 450 milhões na Eagle e, como garantia, pegou todos os ativos da Eagle: contratos de televisão, de material, e pegou as ações dos sócios.
Todas as ações do John Textor. Esse empréstimo, além do volume e do valor, tem juros um pouco mais alto que os juros de mercado nos Estados Unidos. E o Textor não estava conseguindo pagar. Vendeu o Crystal Palace, amortizou uma parte, mas ainda está devendo uns US$ 350 milhões (mais de R$ 1,9 bilhão, em cotação desta terça-feira).
Não tem dinheiro e perdeu as ações. Os caras executaram as ações que foram dadas em garantia. O Textor, agora, está tentando sair fora da Eagle. Na verdade já saiu no papel, parece que é isso.
Mas está tentando ficar com o Botafogo. Só que ele precisa de dinheiro. Ele, pessoa física, não tem dinheiro, e está tentando falar com outras pessoas para ajudar a comprar. A Ares não quer negociar muito com ele, mesmo ele tendo dinheiro. Deve ter feito algumas e outras coisas não muito interessantes.
Seja lá no Lyon, onde já foi expulso e não pode botar o pé lá, seja em outras discussões. A situação é essa. Essa Ares é o segundo maior fundo de investimento dos Estados Unidos. Não tem esse negócio de história, de 100 anos de Botafogo, não. O que tem agora é dinheiro em cima da mesa.
É uma briga entre os sócios que compraram o Botafogo e ficaram com 90% da SAF. Teoricamente, a gente não tem nada a ver com essa briga, mas é o que está acontecendo. Espero que eu tenha sido claro. Qualquer coisa, me pergunta.