Final entre Vasco e Fla 'separa' amores no futebol

Unindo vascaínos com rubro-negras, três casais da mesma família festejam o ‘Dia do Beijo’ e mostram que há lugar para a paixão no meio de tanta rivalidade

Por rafael.arantes

Rio - O vascaíno Rafael Fernandes, de 27 anos, vivia falando para a mãe que jamais teria uma namorada rubro-negra. Mas, há seis anos e meio, ele se encantou justamente pela flamenguista Juliana Monteiro e, além de aguentar as provocações da família, comprovou o que seus pais já sabiam: é possível haver amor no meio de tanta rivalidade. Neste domingo, no Dia do Beijo, eles estarão em lados opostos no último duelo da decisão do Campeonato Carioca, mas sem perder a esportiva nem a paixão um pelo outro.

Os pais de Rafael, Francisco e Fátima, estão casados há 32 anos e também são adversários no futebol: ele torce pelo clube da Colina e ela é flamenguista. Seguindo a tradição dos casais rivais na família, a outra filha, Patrícia, é rubro-negra e está noiva do vascaíno Pedro França.

“Sempre falei que não namoraria uma rubro-negra, mas aí não teve jeito. Não entramos muito em atrito por causa do time porque a Juliana não é tão assídua com o futebol como eu. Mas eu também respeitaria se ela fosse”, jura Rafael.

Casais vão ser 'rivais' na final deste domingoMárcio Mercante / Agência O Dia

Aproveitando a compreensão da namorada, ele até já elegeu o time do futuro filho do casal. “Ele terá escolha: ou sair de casa ou ser vascaíno”, brinca, sonhando em ver o herdeiro exibindo a camisa com a cruz de malta.

Juliana leva tudo na brincadeira e prefere não provocar o amado quanto o assunto é futebol: “Sou flamenguista, mas não sou tão fanática. Por isso, não fico competindo com ele por causa de jogo.”

ELIMINAÇÃO NA LIBERTADORES JÁ VIROU PROVOCAÇÃO

Bastou o Flamengo ser eliminado da Libertadores, na quarta-feira, para Rafael não dar sossego em sua casa, em Quintino. “Ele não assistiu ao jogo em casa, mas quando chegou, foi aquela zoação. A gente rebate como pode, dizendo que eles não terão a chance de nos enfrentar no Brasileiro este ano”, diverte-se Patrícia.

Sua mãe também entra na provocação, mas tenta pegar leve na brincadeira quando o Vasco é derrotado. “Perder para o Flamengo já é a morte para o Rafael, por que vou provocar ainda mais?”, diz Fátima.

Pedro, noivo de Patrícia, garante ser mais calmo que o cunhado, mas admite que a rivalidade fica acirrada: “Na final, é outra história.”

Rivalidade toma conta da família no dia da decisãoMárcio Mercante / Agência O Dia

EXPECTATIVA DE EQUILÍBRIO NO DUELO FINAL

A eliminação na Libertadores trouxe cautela para Patrícia para a decisão do Estadual, mesmo com o Flamengo tendo a vantagem do empate. “Tem o receio de que a derrota de quarta-feira possa abalar os jogadores. Por outro lado, essa é a chance de o Flamengo se reerguer, diante do maior rival, e depois de ter ouvido tantas brincadeiras durante a semana”, diz Patrícia.

Rafael prefere não cantar vitória antes da hora: “Será um jogo aberto. Nenhum dos dois elencos se destaca muito mais do que o rival”. Seja qual for o resultado, o pai, Francisco, promete manter o bom humor: “Se o Vasco vencer, ótimo. Mas, se não ganhar, fico tranquilo. O Rafael sofre mais.”

Colaborou: Edsel Britto

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