PSG levanta a taça do Intercontinental de 2025@PSG / Fotos Públicas
Fala, Galera! Mais uma vez, um clube europeu ganhou uma disputa mundial de clubes, o duelo intercontinental. São 13 anos seguidos assim, em que podemos até jogar bem em alguns momentos e equilibrar o jogo, mas ao final o clube não-europeu (a maioria de brasileiros, nesse período) acaba derrotado. Por que isso acontece?
Até os anos 90, esse duelo costumava ser muito equilibrado, nos jogos e nos resultados. Era lá e cá. Eu lembro que, no final de 1988, eu havia recém-chegado ao PSV da Holanda e enfrentei o Nacional do Uruguai na final do Mundial daquele ano em Tóquio. Jogo duríssimo. Terminou 2x2 e eles ganharam nos pênaltis. Lembro também que não chegamos lá como grandes favoritos, como rola sempre hoje em dia.
O dinheiro e a organização, como sempre, fizeram a diferença. Essa dupla no futebol é como eu e Bebeto no ataque, infalível! Os europeus criaram ligas profissionais e independentes, seja no âmbito nacional ou continental, e passaram a arrecadar muito mais com seus campeonatos. Organizaram seus clubes e profissionalizaram suas gestões, com muitos deles adotando o modelo empresarial. Tudo isso há trinta anos.
Enquanto isso, nesse período, ficamos presos ao sistema político das entidades de administração do esporte, a gestões amadoras e ao eterno clima de instabilidade e corrupção que historicamente assolou o nosso futebol. O mesmo praticamente se dá nos nossos vizinhos, sobretudo a Argentina, o outro gigante do continente.
O resultado disso a gente vê em campo, não tem jeito. Papo reto: até mesmo quando o Inter, o São Paulo e o Corinthians ganharam a final do Mundial, nos últimos vinte anos, eles jogaram totalmente acuados, reconhecendo a superioridade técnica do adversário e sofrendo bastante. De 2013 pra cá, nem isso.
É verdade que o Flamengo, desde que se organizou e se estruturou, tem feito bons jogos nas duas vezes em que disputou o intercontinental. Mas alguém discute quem era melhor? Ou quem era o favorito absoluto? Ninguém. E aí está o retrato do atual fosso que nos separa.
Mesmo com todos os problemas que conhecemos, ainda conseguimos revelar grandes jogadores. A América do Sul ainda é o maior celeiro de craques do mundo. Mas esses talentos nem estão mais terminando a sua formação aqui, acabam de fazer 18 anos e já vão para algum clube europeu, onde construirão suas carreiras e apenas retornarão quando já estiverem em declínio físico e técnico. Assim tem sido nas últimas décadas. Não voltará a acontecer tão cedo o que eu fiz, voltar para o futebol brasileiro ainda no auge. Infelizmente, essa é a nossa realidade atual.
E isso tudo só mudará com muito trabalho, profissionalismo e esforço conjunto. A atual incapacidade de criar uma verdadeira liga, que consiga construir uma identidade e um conjunto melhor para vender os nossos campeonatos, dá a medida do longo caminho que teremos de percorrer. Mas eu não tenho dúvidas de que, se nos organizarmos, o Mundial vai voltar a ser uma competição verdadeiramente equilibrada.

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