"O Flamengo foi a realização dos meus sonhos", diz Rodrigo Caio
Ex-zagueiro, que defendeu o Rubro-Negro por cinco temporadas, relembra momentos marcantes pelo clube
Quando Rodrigo Caio desembarcou no Ninho do Urubu no fim de 2018, poucos imaginavam que aquele zagueiro de fala calma e postura serena se tornaria símbolo de uma das eras mais vitoriosas da história rubro-negra. Ele chegou em silêncio, sem alarde — mas o futebol dele gritou alto, forte e firme nas quatro linhas durante todo o período em que defendeu o Mais Querido. Em entrevista exclusiva com a reportagem do Contra-Ataque O Dia, o ex-defensor falou sobre a experiência no time carioca.
"O Flamengo foi a realização de todos os meus sonhos como atleta. Tive a oportunidade de desfrutar de momentos mágicos, pelas conquistas, por participar de um grupo espetacular nesses cinco anos em que tive a oportunidade de jogar lá, de vencer títulos que eu sempre sonhei, de compartilhar momentos com jogadores que já tinham história no futebol, e até dos períodos ruins, que fazem parte do processo, enfim, foi um momento mágico onde eu aproveitei cada minuto", inicia Rodrigo Caio.
"Com toda certeza, esses momentos ficarão eternizados na minha memória. Foi o clube que mais me marcou em todos os sentidos. E o mais importante é sentir o carinho, o respeito de toda a torcida, de toda a nação. Isso para mim é gratificante demais, porque mostra que eles se sentiram identificados com o Rodrigo dentro de campo, e para mim isso é algo muito especial", complementa.
Títulos inesquecíveis
Em 151 jogos, Rodrigo Caio marcou seis gols, mas sua maior especialidade foi impedir os dos outros. Ao todo, levantou 11 troféus: duas Libertadores, dois Brasileiros, três Cariocas, uma Copa do Brasil, uma Supercopa do Brasil e duas Recopas Sul-Americanas. Um currículo de respeito para um defensor que jogava como se estivesse sempre um segundo à frente da jogada. Com um histórico de dar inveja, o jogador relembrou dois de seus momentos inesquecíveis.
"Olha, é difícil a gente colocar um, dois ou três momentos especiais, porque foram tantos. Mas eu acredito que o primeiro momento mais marcante foi a conquista da Libertadores de 2019. Pela forma como foi, um começo difícil e o time foi se encaixando. Acredito que depois do jogo contra o Emelec, o time engrenou de vez, ganhou confiança, acreditando cada vez mais no trabalho do Jorge. A equipe se fortaleceu muito e conseguimos a conquista contra um time muito forte, muito bem treinado, numa final épica", conta, destacando outra passagem com a camisa do Mengão.
"O segundo, eu acredito, foi a conquista do Brasileiro em 2020. Pela forma como foi, estávamos atrás e conseguimos dar a volta por cima, conseguimos ser campeões brasileiros. É um campeonato muito difícil de se vencer. Em 2019, tivemos uma competição extraordinária, onde conseguimos somar 90 pontos e isso nunca tinha acontecido no Brasileirão. Mas em 2020 foi uma recuperação extraordinária, onde a gente conseguiu voltar para o campeonato e nas três últimas rodadas conseguimos passar o Inter e ser campeões", completa.
Classe na defesa rubro-negra
Rodrigo Caio não precisava fazer cara feia para intimidar. Seu olhar tranquilo, sua elegância na saída de bola e a inteligência tática se bastavam. Ao lado do espanhol Pablo Marí, formou uma dupla de zaga que está na história e no imaginário do torcedor.
"Eu acredito que nos completamos muito bem. Penso que uma dupla de zaga depende muito disso, não adianta ser só bons zagueiros e sim se completar, se entenderem, saberem que vocês têm que estar sempre juntos, não querendo ser melhor do que o outro, e sim um ajudar o outro e eu acho que a gente, no período que estivemos jogando juntos, fizemos isso muito bem, sempre um sendo parceiro do outro", frisa o ex-defensor.
A passagem de Marí no Flamengo não durou muito. O zagueiro chegou ao Rio em julho de 2019 e se despediu da torcida em janeiro do ano seguinte. Hoje em dia, o espanhol atua pela Fiorentina, da Itália.
"Em tão pouco tempo, nos entendemos muito bem e, sem dúvidas, quem ganhou com isso foi o Flamengo. Para mim, foi um prazer gigantesco ter jogado ao lado do Pablo. Foi um amigo que fiz, mantemos o contato até hoje e eu sempre acompanho e torço pelo sucesso dele, porque é um cara muito especial, um cara que saiu da sua zona de conforto para vir para o Brasil e com toda certeza fez história. A gente fica sempre na torcida pelo sucesso dele e que ele possa ser muito feliz no restante da carreira", diz.

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