Zagallo consola Ronaldo após vice-campeonato na Copa do Mundo de 1998Antonio Scorza / AFP
Publicado 11/06/2026 09:30 | Atualizado 11/06/2026 10:29
O MetLife Stadium, palco da estreia do Brasil e da final desta Copa do Mundo, pode representar um 'mau presságio' para a campanha da Canarinho. Na história dos Mundiais, a seleção brasileira estreou no estádio da decisão quatro vezes, e todas as edições tiveram um fim trágico. O DIA preparou uma retrospectiva de cada uma delas, na expectativa de que o tabu seja quebrado em 2026.
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1950: Silêncio no 'Maracanazo'

O Rio de Janeiro estava em festa no dia 24 de junho de 1950. A ocasião marcava a estreia do Brasil na Copa do Mundo e a inauguração do Maracanã em jogos oficiais, celebrada com uma goleada por 4 a 0 sobre o México na partida de abertura do torneio.
Três semanas depois, no dia 16 de julho, o clima de otimismo era o mesmo. Após duas goleadas, contra Suécia (7 a 1) e Espanha (6 a 1), pelo quadrangular final, a seleção brasileira tinha uma missão simples: empatar com o Uruguai, no mesmo Maracanã, ocupado por 200 mil pessoas, para ser campeã do mundo pela primeira vez.
O 'oba-oba' brasileiro aumentou quando Friaça abriu o placar, aos dois minutos. Tudo corria como planejado, até que, aos 20 do segundo tempo, o uruguaio Ghiggia escapou pela direita e serviu Schiaffino. Pouco depois, Ghiggia usou o mesmo atalho para virar o jogo, silenciar as arquibancadas e dar o título ao Uruguai. O trauma foi imortalizado como 'Maracanazo'.
Gol do uruguaio Schiaffino, contra o Brasil, na decisão do Mundial de 1950 - Staff / AFP
Gol do uruguaio Schiaffino, contra o Brasil, na decisão do Mundial de 1950Staff / AFP

1998: Sonho do Penta adiado

Quase meio século depois, em 1998, o Brasil chegava à Copa do Mundo da França como atual campeão e franco favorito a conquistar o Penta. No dia 10 de junho, liderada por Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo, Bebeto e o 'Fenômeno' Ronaldo, a seleção brasileira estreou com vitória sobre a Escócia, por 2 a 1, no Stade de France.
Naquela edição, o Brasil voltaria a chegar à final, para enfrentar a anfitriã, no mesmo Stade de France. Eleito melhor jogador do mundo no ano anterior, Ronaldo era a principal esperança de gols dos brasileiros, mas sofreu uma grave convulsão, a poucas horas da partida, e sua titularidade foi dúvida até a entrada das equipes em campo.
No fim das contas, o 'Fenômeno' foi titular, mas quem deu show naquele 12 de julho foi o meia Zinedine Zidane. O craque francês marcou dois gols e entregou uma das maiores atuações de sua carreira. A derrota por 3 a 0 decretou o segundo vice-campeonato mundial da história do Brasil e adiou o sonho do Penta.
Ronaldo lamenta derrota para a França na final da Copa de 1998Patrick Hertzog / AFP

2006: Quadrado, mas sem mágica

A seleção brasileira chegou à Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, em moldes semelhantes aos de 98. Atual campeã mundial, favorita ao título e dona de uma grande equipe, liderada pelo famoso 'Quadrado Mágico': Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo.
A estreia, em 13 de junho, no Estádio Olímpico de Berlim, não foi exatamente mágica. Com gol solitário de Kaká, que seria Bola de Ouro no ano seguinte, a Seleção venceu a Croácia por 1 a 0. Nesta edição, a tragédia aconteceu ainda antes da final. Logo nas quartas, naquele fatídico 1º de julho, a França voltou a ser algoz e interromper o sonho do título.
Pressionado pelo futebol 'sem graça', mesmo com a sequência de vitórias, o técnico Parreira deixou Adriano no banco e desmontou o quadrado. Em noite pouco inspirada, a Seleção viu os franceses, com gol de Henry, sacramentarem a vitória magra e a eliminação brasileira. A derrota significou o fim de uma geração mágica.
Autor do gol do jogo, Henry consola Adriano após eliminação na Copa de 2006Antonio Scorza / AFP

2022: Faltavam três minutos

O calor do Catar fazia os brasileiros se sentirem em casa na Copa do Mundo de 2022. Em busca do Hexa, a Seleção venceu a Sérvia por 2 a 0 na estreia, no dia 24 de novembro, com dois gols de Richarlison e grande atuação de Vini Jr, no Estádio de Lusail.
Camisa 10, Neymar via naquele Mundial sua grande chance de conquistar o título, após as frustrações de 2014 e 2018. Porém, a história se repetiu e o drama da eliminação veio cedo: novamente nas quartas, agora contra a Croácia, a Canarinho teve a vaga nas mãos, mas faltavam três minutos para o fim da prorrogação.
O próprio Neymar já havia aberto o placar no fim da primeira etapa do tempo extra, com gol heroico. Até que, aos 117 minutos de jogo, o croata Petkovic empatou e levou a disputa aos pênaltis. Marquinhos e Rodrygo desperdiçaram suas cobranças, o sonho do Hexa ficou para depois e o tabu do estádio da final voltou a assombrar a Seleção.
Neymar chora após eliminação para a Croácia, no Mundial de 2022Nelson Almeida / AFP

Uma nova esperança em 2026

Nesta Copa do Mundo, o Brasil estreia contra Marrocos, neste sábado (13), às 19h (de Brasília). A partida será realizada no MetLife Stadium, palco da decisão do torneio, e representará a quinta repetição de um cenário que já foi sinônimo de tragédia para os brasileiros em 1950, 1998, 2006 e 2022. Em 2026, a Canarinho terá mais uma chance para fazer diferente.
* Matéria do estagiário João Vitor Cravo, sob supervisão de Gabriel Salotti
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