Seleção brasileira acumula 17 vitórias e três empates no recorteToshifumi Kitamura / AFP

Estreia de Copa do Mundo sempre foi sinônimo de nervosismo e expectativa para o Brasil. Porém, mesmo com o cenário de pressão, a Seleção acumula uma invencibilidade de 92 anos em inaugurações de campanhas no torneio. Às vésperas da estreia no Mundial de 2026, contra o Marrocos, O DIA trouxe uma retrospectiva das duas únicas derrotas da Seleção no recorte e das tantas outras vitórias que vieram depois.
Logo nas duas primeiras participações em Copas do Mundo, em 1930, no Uruguai, e em 1934, na Itália, o Brasil acumulou duas derrotas em estreias. Na ocasião, perdeu para a Iugoslávia e Espanha, respectivamente. Porém, a maré de azar parou por aí. Nas 20 edições seguintes, a Canarinho não perdeu mais.

1930 - Iugoslávia 2x1 Brasil

Ventava muito no Estádio Parque Central, em Montevidéu, no dia 14 de julho de 1930. Pela primeira vez na história, o Brasil entrava em campo para uma partida de Copa do Mundo, contra a Iugoslávia. Durante a primeira etapa, jogando com o vento contra, o Brasil até conseguiu pressionar e exigir boas defesas do goleiro iugoslavo, mas a zaga falhou duas vezes e os adversários abriram 2 a 0 no placar antes do intervalo.
No segundo tempo, com o vento a favor, a seleção brasileira pressionou, mas só conseguiu fazer um gol, com Preguinho, ídolo histórico do Fluminense. Aquela bola na rede foi a primeira do Brasil na história das Copas do Mundo, e serviu para dar números finais na derrota por 2 a 1, na primeira de 22 estreias em Mundiais.
Preguinho foi ídolo do Fluminense e autor do primeiro gol brasileiro em Mundiais - Divulgação / Fluminense
Preguinho foi ídolo do Fluminense e autor do primeiro gol brasileiro em MundiaisDivulgação / Fluminense

1934 - Brasil 1x3 Espanha

No dia 27 de maio de 1934, na cidade italiana de Gênova, a seleção brasileira pisava no gramado do Estádio Marassi, para sua segunda estreia em Copas. Todas as esperanças giravam em torno do talento individual de Leônidas da Silva, o 'Diamante Negro', e Waldemar de Brito, que 20 anos depois seria o técnico a descobrir Pelé.
Porém, a missão não era fácil: vencer a Espanha do goleiro Zamora, figura lendária para os espanhóis, considerado um dos maiores da história da posição. E não só do arqueiro vivia a seleção espanhola, que, mais organizada, tratou de abrir 3 a 0 no placar logo na primeira meia hora de jogo.
Os brasileiros ainda conseguiram chegar ao 3 a 1 com Leônidas, mas a reação esbarrou no goleiro adversário. Isto porque, quando teve a chance de encostar no placar, Waldemar de Brito protagonizou o primeiro pênalti perdido do Brasil na história das Copas, defendido justamente por Zamora. Fim de papo para a última derrota da Seleção em estreias até os dias atuais.
Leônidas da Silva, o 'Diamante Negro', jogou por Flamengo, Vasco, Botafogo e São Paulo - Divulgação / Flamengo
Leônidas da Silva, o 'Diamante Negro', jogou por Flamengo, Vasco, Botafogo e São PauloDivulgação / Flamengo

Resultados das estreias seguintes

1938 - Brasil 6x5 Polônia
1950 - Brasil 4x0 México
1954 - Brasil 5x0 México
1958 - Brasil 3x0 Áustria
1962 - Brasil 2x0 México
1966 - Brasil 2x0 Bulgária
1970 - Brasil 4x1 Tchecoslováquia
1974 - Brasil 0x0 Iugoslávia
1978 - Brasil 1x1 Suécia
1982 - Brasil 2x1 União Soviética
1986 - Brasil 1x0 Espanha
1990 - Brasil 2x1 Suécia
1994 - Brasil 2x0 Rússia
1998 - Brasil 2x1 Escócia
2002 - Brasil 2x1 Turquia
2006 - Brasil 1x0 Croácia
2010 - Brasil 2x1 Coreia do Norte
2014 - Brasil 3x1 Croácia
2018 - Brasil 1x1 Suíça
2022 - Brasil 2x0 Sérvia

Curiosidades e expectativas para 2026

Nas vinte estreias seguintes após as derrotas de 1930 e 1934, o Brasil acumulou impressionantes 17 vitórias. Os únicos três empates foram contra adversários europeus: a Iugoslávia, em 1974, a Suécia, em 1978, e a Suíça, em 2018. Na história, a Canarinho nunca estreou contra uma seleção africana. Por isso, a partida entre Brasil e Marrocos já é histórica antes mesmo de acontecer.
Considerada por muitos a concorrente mais forte do Grupo C, a seleção marroquina promete fazer jogo duro contra os comandados de Ancelotti. Dados os prognósticos, a expectativa é de que o duelo seja crucial na briga pela classificação em primeiro lugar no grupo e represente o maior desafio da seleção brasileira na primeira fase da competição. Logo na estreia.
Brasil e Marrocos se enfrentam no próximo sábado (13), às 19h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. O estádio também será palco da final do torneio. Junto com as duas seleções no Grupo C estão Escócia e Haiti. A seleção brasileira encara os haitianos no dia 19, na Filadélfia, e depois os escoceses no dia 24, em Miami.
*Matéria de João Vitor Cravo sob a supervisão de Rodrigo Souza