Uma Itaperuna-RJ diferente neste outonoNinoBellieny

Região Noroeste- Acostumados a conviver com termômetros marcando entre 38 °C e 45 °C (e sensação térmica digna de deserto), os moradores de Itaperuna vivem, nestes dias 13 e 14 de junho, uma experiência fora do comum. A cidade, considerada a  mais quente do Noroeste Fluminense mergulhou — de corpo, alma e cobertores — em temperaturas inusitadamente baixas, com mínima de 16 °C na sexta à noite e 11 °C na madrugada de sábado.

Se em outras épocas bastava abrir a porta para ser saudado por uma lufada de calor, neste fim de semana a saudação foi outra: vento fresco no rosto, casacos saindo do armário (muitos com cheiro de naftalina) e olhares desconfiados para o céu.

A psicóloga Dura Ferrer, entre um café quente e outro, comentou com um sorriso: “Foi como viajar para a Região Serrana sem precisar sair do lugar”. Já o policial militar e veterinário Sérgio Dallia aproveitou a mudança no clima de forma estratégica: rumou à zona rural e celebrou com os amigos no tradicional Feijão Queimado, desfrutando o que chamou de “um frio real e inusitado para o município”.

O clima propício também fez brotar reflexões filosóficas no aposentado Carlo Silva Bartollo, que, admirado com os 11 graus no termômetro, desabafou com sabedoria: “A gente aqui reclama do calor, que realmente é demais, e reclama do frio… quando deveria agradecer e aproveitar o clima diferente, muito bom inclusive para namorar”, encerrou com um riso maroto, como quem fala por experiência.

A professora Gil Jardim, entre risos e tremores, resumiu a sensação coletiva: “Está doendo até os ossos, mas é muito bom!” — o frio trazendo dor e poesia na mesma medida.

No entanto, entre mantas e chocolate quente, também houve espaço para a consciência social. O morador Mauro Juliano fez um alerta importante: “Fico preocupado com os mais carentes. Esse frio forte está atingindo a quem pode se proteger — imaginem os mais vulneráveis. Além dos cães abandonados, que são muitos em nossa cidade.”

Entre o cômico, o lírico e o solidário, Itaperuna — acostumada a ser a “fogueira” do interior — viveu uma pausa climática inesperada. Uma espécie de recesso meteorológico, no qual o calor deu lugar ao frio e o asfalto quente cedeu espaço para a contemplação, a solidariedade e até um certo romantismo.

E assim, a cidade tira férias do seu próprio estereótipo, provando que, até no Noroeste Fluminense, o frio pode dar as caras — mesmo que só de vez em quando.
NinoBellieny
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