Com a nova prática os profissionais tratam o paciente não apenas no aspecto físico, mas também no emocional e socialDivulgação

Japeri - No Hospital Municipal de Japeri (HMJ), a reabilitação de pacientes internados tem ido muito além da técnica. Com um olhar humanizado e integral, a equipe de fisioterapia tem apostado em práticas que tratam o paciente não apenas no aspecto físico, mas também no emocional e social e, sempre que possível e de forma segura, proporcionam momentos de alívio, conexão e estímulo.
Um dos diferenciais adotados é o uso de óculos de realidade virtual durante as sessões que acontecem no pátio da unidade. A iniciativa, inovadora no cuidado hospitalar, permite que o paciente seja transportado para ambientes como florestas, praias ou parques, contribuindo para reduzir a dor e a ansiedade. A imersão em paisagens tranquilas atua como um estímulo sensorial e cognitivo, especialmente eficaz com idosos e crianças e em casos ortopédicos e pediátricos.
“Esse recurso nunca vai substituir o contato humano, mas vem para complementar o tratamento. O que oferecemos aqui é mais do que cuidado técnico, é acolhimento no momento mais frágil da vida. E tudo de forma segura, com a liberação clínica e em horários recomendados, sempre das 7h às 10h ou após as 16h”, explicou Patrícia Gonçalves, coordenadora da equipe de fisioterapia.
Com a paciente, Marina Ferreira, (81), o passeio desejado foi nadar no fundo mar. E lá, ela teve contato com tartarugas marinhas, algas e peixes. Seus braços se exercitaram com movimentos semelhantes aos do nado em águas livres. E essa não foi a primeira vez que ela fez o passeio, já tendo passado por desertos e até desfiladeiros.
“É sempre uma nova aventura, mas aqui eu vou querer voltar, adoro o mar”, relatou a idosa que foi internada por uma fratura no fêmur.
Já o paciente Hugo Santos, (59), que realizou o seu terceiro passeio, desta vez fez o uso do óculos virtual para ter a sensação de quem está andando de bicicleta. Aguardando a regulação de vaga para cirurgia ortopédica, ele aproveitou para usar o simulador de mini bicicleta e enquanto passeava por ruas arborizadas fazia exercícios de fisioterapia motora com os braços.
“No início eu estranhei, agora eu me distraio e me exercito ao mesmo tempo que contribuo com a minha saúde. Eu já fico esperando a hora de ir lá fora e dar uma volta”, relatou ele que é morador do bairro Primavera.
Atendimento segue critérios rigorosos
A mobilização precoce é um dos grandes objetivos da ação. Sempre que autorizado clinicamente, os pacientes são retirados do ambiente da enfermaria, muitas vezes com uso de maca ou cadeira, acompanhados pela equipe, e levados para a área externa. A estratégia ajuda a mantê-los mais alertas, evitando quadros de delírio e favorecendo a recuperação funcional.
Segundo Patrícia, a proposta da equipe já é usada com pacientes com uma internação prolongada ou em UTIs em muitas unidades particulares. E ao ser proposta pela equipe, foi muito bem aceita pela gestão da unidade e pela própria Secretaria Municipal de Saúde (Semus), que vem investindo em um atendimento mais humano, tecnológico e centrado nas necessidades de cada paciente.