Cícero e Juliana interpretam os papéis principais no balé mais célebre do mundo, após trajetória marcada por dedicação e talentoFoto: Daniel Ebendinger
A trajetória desses artistas começou ainda na adolescência, marcada por disciplina, sacrifícios e muita paixão pela arte. Cícero, que ingressou na escola em 2000, destaca o papel fundamental da instituição em sua formação não só técnica, mas também pessoal. “Ali aprendi valores, ética e respeito pela arte. A escola me formou por completo”, conta ele, hoje Primeiro Bailarino do Theatro Municipal.
Juliana Valadão lembra o desafio de ter deixado Arraial do Cabo aos 16 anos para viver no Rio e perseguir o sonho de dançar profissionalmente. A jovem enfrentou a distância da família e o ritmo puxado das aulas e dos estudos até se formar em 2007. “A Maria Olenewa nos ensina a ser artistas em todos os sentidos, desde o palco até os bastidores”, afirma.
O espetáculo, com música de Tchaikovsky e direção geral de Hélio Bejani, contará com dez apresentações nesta temporada. Cerca de 90% do corpo de baile é formado por ex-alunos da Escola Maria Olenewa, que atualmente possui cerca de 300 estudantes e já revelou nomes históricos, como Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Theatro Municipal, nos anos 1950.
Marcela Borges, outra aluna formada pela escola e integrante do elenco atual, também relembra o início precoce e os desafios enfrentados ao longo de nove anos de formação. “Sempre vi a dança como prioridade. A escola me ensinou a não desistir, mesmo diante das dificuldades”, compartilha.
A montagem narra, em quatro atos, a história da princesa Odette, enfeitiçada e transformada em cisne por um bruxo. Para quebrar o feitiço, ela precisa de uma jura verdadeira de amor. “Esse balé tem um peso emocional e técnico. É o repertório mais conhecido do mundo e exige muito de nós”, resume Cícero Gomes, sobre o desafio e a emoção de estar no centro dessa obra-prima.
A nova temporada de “O Lago dos Cisnes” mostra, mais uma vez, que o talento lapidado com dedicação e formação sólida pode voar alto – ainda que comece nos palcos menos iluminados do interior.



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