Investigação aponta que grupo com base em Macaé burlava o sistema do INSS para liberar benefícios de forma ilegalFoto: Ilustração

Macaé - Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema de fraude que operava há mais de dez anos e tinha base em Macaé, no Norte Fluminense. A organização criminosa é suspeita de causar um prejuízo de mais de R$ 30 milhões ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por meio de concessões irregulares do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS).
A operação batizada de Fraus foi deflagrada nesta quinta-feira. Agentes cumpriram oito mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, São Gonçalo, Cabo Frio, Armação dos Búzios e Casimiro de Abreu. As ordens foram determinadas pela 8ª Vara Federal Criminal do Rio.
De acordo com os investigadores, o grupo criminoso agia de forma organizada e contava com a colaboração de servidores públicos, gerentes de banco, correspondentes bancários e profissionais de gráfica. Utilizando acessos indevidos a sistemas internos do INSS e da plataforma Meu INSS, os envolvidos conseguiam liberar benefícios usando dados de pessoas reais, mas de forma fraudulenta.
Em seis meses de apuração, a PF identificou ao menos 415 requerimentos irregulares. As ações já geraram prejuízo imediato de mais de R$ 1,6 milhão. Com base no tempo de atuação e no volume de fraudes, os danos aos cofres públicos podem ultrapassar R$ 30 milhões.
O homem apontado como o líder do esquema era conhecido como “Professor” ou “Rei do Benefício”. Segundo a PF, ele orientava os demais integrantes sobre como operar o sistema e liberar os valores indevidos. A quadrilha fazia tantas solicitações que, em diversos casos, nem conseguia abrir todas as contas bancárias para o recebimento dos valores, o que resultava em suspensão dos pagamentos.
Os gerentes de banco envolvidos recebiam cerca de R$ 500 por cada conta aberta, enquanto os benefícios eram vendidos por valores em torno de R$ 2.500 ou permaneciam sob o controle direto do grupo. A PF continua investigando o caso para identificar outros envolvidos e tentar recuperar parte dos recursos desviados.