Trump eleva o tom e reafirma polêmicas medidas contra migrantes

Segundo dados oficiais repassados ao Senado, mais de 2, 3 mil crianças e menores de idade foram separados de suas famílias ao entrar clandestinamente no país, em menos de 30 dias

Por AFP

Donald Trump
Donald Trump -

Washington - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou nesta segunda-feira as controvertidas medidas contra famílias de migrantes na fronteira, apesar do crescente escândalo causado pelos milhares de casos de separação familiar.

"Os Estados Unidos não serão um campo de imigrantes, e não serão um complexo para manter refugiados", enfatizou, voltando a responsabilizar os congressistas democratas por uma legislação que considera 'horrível".

Ele chegou a mencionar a crise política migratória na Europa para justificar suas criticadas medidas internas de tolerância zero.

Segundo ele, entre os migrantes que tentam entrar no país, há pessoas "que podem ser assassinos, ladrões e muitas coisas mais. Queremos um país seguro e isso começa na fronteira. E assim será".

Segundo dados oficiais repassados ao Senado, entre 5 de maio e 9 de junho, 2.342 crianças e menores de idade foram separados de suas famílias ao entrar clandestinamente no país, em uma medida que desatou uma onda de indignação generalizada no país.

A controvérsia é tamanha que Trump se referiu ao tema durante uma cerimônia na Casa Branca dedicada ao programa espacial americano.

Em seu discurso, Trump disse:"se olharmos o que acontece na Espanha, o que acontece em outros lugares, não podemos permitir que isso aconteça nos Estados Unidos. Não sob meu comando".

Pouco antes, em uma série de postagens no Twitter, Trump destacou o "grande erro cometido em toda a Europa ao permitir a entrada de milhões de pessoas que mudaram sua cultura de forma tão forte e violenta".

Sem desculpas 

A secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos não pedirão desculpas ou cederão por estar fazendo o trabalho que o povo americano espera do governo.

"Não se confundam: nossa fronteira (sul) está em crise. Está sendo explorada por criminosos e milhares de pessoas que não têm respeito por nossas leis", afirmou.

De acordo com a funcionária, o governo não tem outra opção a não ser separar as crianças das famílias imigrantes.

"Não podemos deter os menores com seus pais. Devemos liberar os pais e as crianças ou devemos separá-los para poder processar os adultos", justificou.

Trump voltou a insistir que a responsabilidade por esta situação é dos legisladores do Partido Democrata, que se negama negociar uma lei migratória.

"Se os democratas decidirem negociar em vez de criar obstáculos, poderíamos fazer algo muito rapidamente, algo de bom para as crianças, para o país e para o mundo. Isso poderá acontecer rapidamente", afirmou.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeiz Ra'ad Al Hussein, destacou que a medida é inadmissível e cruel.

"Pensar que um Estado busca dissuadir os pais, infligindo tal abuso às crianças, é inadmissível", afirmou Al Hussein na abertura de uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

Em uma nota, a líder do bloco democrata na Câmara Representantes, Nancy Pelosi, foi dura em relação à medida adotada pelo governo Trump.

"Esta política bárbara viola nossas leis de asilo e os direitos constitucionais dos pais", assegurou.

O coro de indignados também teve a voz de Laura Bush, esposa do ex-presidente George W. Bush, para quem "esta política de tolerância zero é cruel". "É imoral e faz doer meu coração", acrescentou.

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