Serviço secreto invade Assembleia Nacional na Venezuela

Desde cedo, os agentes isolaram as entradas do Parlamento, o único poder nas mãos da oposição

Por AFP

O presidente Maduro e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, mostraram que militares continuam leais
O presidente Maduro e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, mostraram que militares continuam leais -
Caracas - Deputados venezuelanos denunciaram que as forças de segurança bloqueavam, nesta terça-feira, os acessos ao Parlamento em Caracas, horas antes de uma sessão para discutir o indiciamento de legisladores por uma insurreição militar fracassada contra o presidente Nicolás Maduro.
Tropas da Guarda Nacional - encarregada da segurança do Palácio Legislativo -, policiais e agentes da inteligência (SEBIN) estão no prédio e nos arredores, segundo os parlamentares. "Funcionários da SEBIN, com a desculpa de que há um artefato explosivo dentro das instalações, tomaram o Palácio Federal. Estamos cercados por funcionários da inteligência", disse à AFP a deputada Manuela Bolívar.
Desde cedo, os agentes isolaram as entradas do Parlamento, o único poder nas mãos da oposição. Veículos blindados e um guindaste foram colocados nas proximidades, constataram jornalistas da AFP."É algo recorrente, não é a primeira vez que isso acontece", disse Bolívar, observando que se trata de "uma política para enfraquecer a Assembleia".
No dia 5 de janeiro, quando a legislatura começou, a Guarda Nacional também reportou explosivos no edifício. "Seja em uma praça, nos anexos, debaixo de uma ponte, a Assembleia continuará a realizar sessões e hoje haverá uma sessão", declarou à imprensa o congressista Luis Stefanelli.Bolívar denunciou o incidente como "uma intimidação" em meio à disputa entre o presidente do Legislativo, Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por mais de 50 países, e Maduro.
Em 7 de maio, a Assembleia Constituinte tirou a imunidade de dez parlamentares, depois que a Suprema Corte de Justiça os acusou de apoiar a revolta de um pequeno grupo de militares contra Maduro.A rebelião foi liderada por Guaidó e Leopoldo López, libertado da prisão domiciliar pelos insurgentes e que mais tarde se refugiou na residência do embaixador da Espanha.

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