Freira de 77 anos é decapitada em aldeia onde ensinava costura a meninas

A espanhola Ines Nieves Sancho ensinava no oeste da República Centro-Africana. O papa Francisco condenou nesta quarta-feira na Praça de São Pedro o bárbaro assassinato

Por AFP

A freira espanhola Inés Nieves Sancho, vivia há 23 anos na República Centro-africana
A freira espanhola Inés Nieves Sancho, vivia há 23 anos na República Centro-africana -
Vaticano - Uma freira espanhola de 77 anos foi encontrada assassinada na aldeia onde ensinava costura a meninas no oeste da República Centro-Africana. A informação foi publicada pelo portal oficial da Santa Sé, Vatican News.

A irmã foi encontrada decapitada na manhã de segunda-feira. Um bispo de sua diocese de origem, na Espanha, afirmou que ela foi degolada por razões ainda desconhecidas.
 
O papa Francisco condenou nesta quarta-feira na Praça de São Pedro o assassinato "bárbaro".

"Gostaria de lembrar a memória de Ines Nieves Sancho, de 77 anos, educadora de meninas pobres há décadas, barbaramente assassinada na República Centro-Africana, precisamente na sala onde ela ensinava costura a jovens meninas, uma mulher que deu a sua vida por Jesus ao serviço dos pobres", declarou Francisco durante a sua audiência na Praça de São Pedro, pedindo à multidão que orasse silenciosamente por ela.

"Na madrugada de segunda-feira, seus agressores entraram em seu quarto e a levaram para o centro onde ela ensinava as meninas, onde a decapitaram", escreveu o Vatican News.

"Nenhuma reivindicação foi feita, mas de acordo com um deputado local, este assassinato pode estar ligado ao tráfico de órgãos humanos e aos muitos crimes rituais na região", acrescentou o site.

O porta-voz da diocese de Burgos (norte da Espanha), onde nasceu a freira, disse que conversou com um de seus bispos na República Centro-Africana.

"Ele me disse que ela foi degolada: eles cortaram o pescoço dela para matá-la, mas não cortaram totalmente a cabeça", disse à AFP.

O bispo acrescentou que "não sabia as razões do assassinato, que ninguém assumiu o crime, nenhum grupo terrorista", ressaltou o porta-voz. Segundo ele, a freira também tinha nacionalidade francesa.

"Alguns estranhos entraram pelo portão dos fundos e a arrastaram para o mato atrás da casa para matá-la. Eles não roubaram nada. Aparentemente vieram apenas assassiná-la", declarou por sua vez à AFP o abade Isaie Koffia, vigário geral da diocese de Berberati, da qual depende a aldeia de Nola onde a freira estava instalada.

Segundo ele, o assassinato aconteceu no domingo, no final da tarde.

O funeral de Ines Nieves Sancho foi celebrado na terça-feira pelo bispo de Berberati, de acordo com o porta-voz da diocese de Burgos.

A freira pertencia à pequena congregação das Filhas de Jesus, cuja casa mãe está localizada em Massac-Séran, no Tarn (sudoeste da França). "Uma missa será celebrada em intimidade", disse a diocese de Albi.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, expressou na terça-feira no Twitter suas "condolências e (seu) afeto à família de Ines", mencionando também "Fernando, missionário assassinado recentemente em Burkina Faso".

Fernando Hernandez, um missionário espanhol de 60 anos, membro da congregação salesiana, foi assassinado no sábado em Bobo Dioulasso, Burkina Faso, "atacado com facas por um ex-funcionário (da missão) que havia sido demitido dois meses antes", segundo o site da congregação Salesiana, salesianos.info.

Ele foi o segundo salesiano assassinado em Burkina Faso em poucos meses após a morte, em 15 de fevereiro, de Antonio Cesar Fernandez, de 72 anos, vítima de um "ataque jihadista" a cerca de quarenta quilômetros da fronteira deste país, de acordo com o mesmo site.

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