Astrônomos desvendam 'canibalismo cósmico' que deu origem à Via Láctea

A pesquisa confirmou estudos anteriores que encontraram sinais de que a nossa galáxia foi formada por dois componentes distintos, o embrião daquela que se tornaria Via Láctea propriamente dita e a Gaia-Enceladus, uma galáxia anã

Por REVISTA PLANETA

Rio - Há 13 bilhões de anos, o universo era muito diferente do nosso universo de hoje. Naquela época, as estrelas estavam se formando em um ritmo muito rápido, criando as primeiras galáxias anãs, que se fundiram e se transformaram em galáxias massivas, como a nossa.

Contudo, a cadeia exata de eventos que produziram a Via Láctea, a galáxia da qual nosso Sistema Solar faz parte, ainda não havia sido desvendada.

Cientistas do Instituto de Astrofísica de Canárias conseguiram criar uma representação dos estágios iniciais da Via Láctea ao medir posições, brilho e distância de milhares de estrelas da nossa galáxia, a 6,5 mil anos-luz de distância do Sol. "Analisamos esses dados e o comparamos com modelos teóricos, os dividindo entre vários componentes da galáxia, como o halo, uma estrutura esférica que circunda galáxias espirais, e o 'disco', que são as estrelas que foram o disco da galáxia", explica Carme Gallart, autora principal da pesquisa.

Via Láctea
Via Láctea / Gabriel Pérez Díaz, SMM (IAC)

A pesquisa confirmou estudos anteriores que encontraram sinais de que a nossa galáxia foi formada por dois componentes distintos, o embrião daquela que se tornaria Via Láctea propriamente dita e a Gaia-Enceladus, uma galáxia anã.

Há cerca de dez bilhões de anos, houve uma violenta colisão entre os dois sistemas, e a Gaia-Enceladus foi “engolida” pelo sistema maior, que era quatro vezes mais massivo, o formou o halo da Via Láctea.

Até 6 bilhões de anos atrás, houve diversos picos de formações estelares, até que os gases se assentaram e formaram o disco da galáxia e o “disco fino”, região do disco galáctico onde estão as estrelas mais antigas.

A pesquisa foi realizada com dados do telescópio Gaia, da Agência Espacial Europeia, e foi publicada na revista científica Nature Astronomy.

Fonte: Instituto de Astrofísica de Canárias

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