Orações e bons pensamentos funcionam? Pesquisa tem resultado impressionante

Descobertas podem moderar o debate público sobre o assunto.

Por REVISTA PLANETA

Pesquisadores calculam 'custo' de orações e pensamentos
Pesquisadores calculam 'custo' de orações e pensamentos -

Um experimento liderado pela professora Linda Thunstrom, do Departamento de Economia da Faculdade de Negócios da Universidade de Wyoming (EUA), descobriu que os cristãos que passam por desastres naturais ou causados ​​pelo homem valorizam pensamentos e orações de religiosos desconhecidos. Já ateus e agnósticos acreditam que ficam em pior situação com esses gestos. A pesquisa foi publicada ontem (16 de setembro) na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

“O resultado final no bem-estar dos receptores de pensamentos e orações depende de como os receptores percebem se beneficiar de tais gestos de intercessão”, afirmou Thunstrom. Ela conduziu a pesquisa com Shiri Noy, ex-professor de sociologia na Universidade de Wyoming e agora na Denison University.

O debate sobre o valor de pensamentos e orações surgiu em decorrência das respostas verbais de líderes políticos e outras figuras de destaque a tiroteios em massa e desastres naturais, como furacões e incêndios florestais. Para alguns críticos, manifestar simpatia por meio de pensamentos e orações é um gesto sem sentido em resposta à tragédia e que, em certos casos, serve como desculpa para não agir.

O estudo atribuiu valores econômicos reais a pensamentos e orações por meio de uma pesquisa com vítimas do furacão Florence, em 2018. Os pesquisadores descobriram que, do ponto de vista das vítimas cristãs de furacões, o valor monetário das orações de outras pessoas em seu nome era significativo. Enquanto isso, ateus e agnósticos se mostraram “avessos à oração”, colocando um valor monetário negativo nas orações feitas por outros a seu favor.

Valorização negativa

“Nossos resultados sugerem que, idealmente, pensamentos e orações para os outros deveriam ser empregados seletivamente”, escreveram Thunstrom e Noy. “Enquanto os cristãos valorizam tais gestos de companheiros de fé, as pessoas não religiosas valorizam negativamente esses gestos dos cristãos e são indiferentes a recebê-los de outras pessoas não religiosas.”

O estudo constatou que, em média, as vítimas cristãs de furacões cotaram as orações de um cristão desconhecido em US$ 4.36 e pagariam US$ 7.17 a um padre por elas. Por outro lado, pessoas não religiosas pagariam US$ 3.54 a um cristão desconhecido e US$ 1.66 a um padre para não orar por elas.

Da mesma forma, os cristãos cotam pensamentos de um religioso desconhecido a US$ 3.27, enquanto pessoas não religiosas valorizam negativamente o mesmo gesto (- US$ 2.02).

Segundo Thunstrom, as descobertas podem moderar o debate público sobre o assunto. “A constatação de que os cristãos se beneficiam de orações intercessórias, enquanto o bem-estar dos ateus/agnósticos é reduzido por esses gestos, ressalta a divisão nessa resposta popular às dificuldades”, disse ela. “Nossos resultados também podem refletir a polarização política e religiosa nos Estados Unidos.”

“Este trabalho nos ajuda a entender o debate acalorado contemporâneo sobre tais gestos”, acrescentou a professora. O que nossos resultados mostram é que [os gestos] têm um valor real para algumas pessoas, mas não para outras. Esses gestos precisam ser mais direcionados. Se você estiver conversando com uma população que é mais dominada por não crentes, talvez não queira sugerir um dia nacional de oração.”

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