Donald Trump durante discurso de posse nos EUARenan Areias

Donald Trump tomou posse, nesta segunda-feira (20), como presidente dos Estados Unidos, um retorno ao poder que abalou os migrantes em situação irregular, ameaçados com as iminentes deportações em massa. O político prometeu que a partir de agora, o país entrará em uma "Era de Ouro".
No texto lido na posse, o republicano reforçou seu discurso de força e empoderamento estadunidense. Ele disse ainda que o país será a "inveja de outras nações".
"A era de ouro dos EUA começa hoje. Deste dia em diante nosso país irá florescer e ser respeitado novamente em todo mundo. Seremos a inveja de todas as outras nações no mundo. Não vamos permitir que tirem vantagem de nós. Desde o primeiro dia do meu mandato, vou colocar os Estados Unidos em primeiro lugar. Nossa soberania será reconquistada, nossa segurança restaurada", disse Trump.
O político reconheceu que tem desafios e que irá "aniquilá-los". Ele também fez críticas ao governo de Biden com relação às políticas de migração, mesmo estando a poucos metros do ex-presidente e ter tido cumprimentos pacíficos com o democrata.
"Precisamos ser honestos em relação aos desafios que enfrentamos. Apesar de muitos, eles serão aniquilados por este ímpeto que o mundo está testemunhando nos Estados Unidos da América. O governo atual está tropeçando em eventos catastróficos no mundo todo, dando proteção para criminosos perigosos que entraram ilegalmente em nosso país, vindos do mundo todo. Temos um governo que trouxe financiamentos sem fins para a defesa das nossas fronteiras externas, mas não protege essas fronteiras".
Na mesma linha, ele reforçou a dura política que pretende implementar para deportar milhões de imigrantes ilegais que atualmente vivem nos EUA.
"Hoje eu vou assinar diversas ordens executivas e, com essas ações, nós vamos dar inicio a uma restruturação dos EUA. Primeiro, vou declarar uma emergência nacional nas nossas fronteiras do sul. Todas as entradas ilegais serão impedidas. E vamos começar o processo de retornar milhões e milhões de migrantes de volta ao lugar de onde vieram. Vamos retomar a política de 'fique no México'", disse.
"Vou mandar as tropas para as fronteiras do sul para impedir essa invasão desastrosa que vem acontecendo em nosso país", completou. Trump também criticou o atual sistema de educação e saúde do país. 
Ele também agradeceu aos norte-americanos de origem africana e hispânica, chegou a citar Martin Luther King Jr e disse que o sonho do ativista se tornará realidade, fazendo alusão ao famoso discurso sobre igualdade racial.
"Aos negros e hispânicos, eu quero agradecer a vocês pela presença, confiança e amor que demonstraram com o seu voto. Nós estabelecemos recordes e eu nunca vou esquecer disso. Hoje é o dia de Martin Luther King Jr. e em sua honra, vamos crescer juntos para fazer com que o sonho dele se torne realidade", disse o presidente.
Donald Trump criticou inimigos e atacou o que chamou de "comitê de bandidos políticos" que o investigou pelo motim no Capitólio. O republicano prometeu anteriormente perdoar alguns manifestantes de 6 de janeiro no primeiro dia.

Trump também atacou Liz Cheney, Nancy Pelosi e Adam Kinzinger, membros do Comitê de 6 de janeiro da Câmara que o criticam abertamente por causa de suas ações após as eleições de 2020. 
"Ela é muito culpada", disse ele sobre Pelosi sobre sua resposta ao ataque ao Capitólio dos EUA.

O presidente também chamou Cheney de "desastre".

"Ela é uma lunática chorona e chora, chora Adam Kinzinger, ele é um super chorão", disse Trump.
Cerimônia

O republicano chegou ao Capitólio com seu futuro antecessor Joe Biden, que o recebeu na Casa Branca para uma visita de cortesia. "Bem-vindo ao lar", ele disse.

O 45º (2017-2021) e em breve 47º presidente dos Estados Unidos subiu os degraus da entrada principal da Casa Branca em uma manhã gelada, mas ensolarada de inverno, após comparecer a um culto na Igreja Episcopal de St. John com sua esposa Melania, que usava um chapéu escuro com uma faixa branca.

A vice-presidente, Kamala Harris, recebeu pouco antes seu sucessor no cargo J.D. Vance e sua esposa. Antes mesmo de assumir o cargo, funcionários do novo governo anunciaram uma série de decretos executivos que Trump planeja emitir assim que se tornar presidente da maior potência mundial.

Como prometeu aos seus apoiadores em um grande comício no domingo, o magnata intensificará as medidas para combater a imigração irregular.

Ele declarará emergência nacional na fronteira entre EUA e México, fará com que os militares desempenhem um papel fundamental na defesa "das fronteiras e da integridade territorial" e declarará os cartéis e o grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua como terroristas, disseram os futuros funcionários. Ele também quer acabar com o direito ao asilo e à cidadania por nascimento.

Também eliminará os programas federais de diversidade e reconhecerá apenas dois sexos: "masculino e feminino", acrescentaram. Ao meio-dia, horário de Washington (14h em Brasília), Trump iniciou seu segundo mandato.

A cerimônia não foi realizada nas escadas externas do Capitólio, como manda a tradição, mas sim dentro do prédio devido ao frio, como fez Ronald Reagan em 1985.

Com uma das mãos sobre uma Bíblia herdada de sua mãe, ele jurou "proteger a Constituição" sob a cúpula do Capitólio, o mesmo lugar onde, em 6 de janeiro de 2021, seus apoiadores tentaram impedir o Congresso de certificar a vitória de Biden.

O dispositivo de segurança é excepcional depois de duas tentativas de assassinato contra o republicano durante a campanha. Aos 78 anos, ele também se tornará o mais velho chefe de Estado americano a tomar posse.

Três dos homens mais ricos do mundo, os magnatas da tecnologia Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos, compareceram na posse. Além deles, os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama também marcaram presença.

Após seu discurso de posse, o novo presidente irá para a Capital One Arena, em Washington, onde seus apoiadores começaram a chegar no início da manhã.

"Jesus é meu salvador e Donald Trump é meu presidente. E ver como esse homem mudou, não apenas o país, mas o mundo, é muito revelador", disse uma de suas apoiadoras, Rachel Peters, de 28 anos, à AFP.

Biden, que está encerrando meio século de vida política, orquestrou uma transição civilizada com um homem que negou isso a ele. Furioso por uma derrota que nunca reconheceu, Trump se recusou a comparecer à posse do democrata em 2020.
Com informações da AFP