Confrontos deixaram mais de 100 mortos e cerca de mil feridos nos últimos três diasAFP
O rápido avanço do grupo armado M23 e das tropas ruandesas provocou diversos apelos da comunidade internacional pelo fim dos combates. Tanto a ONU quanto os Estados Unidos, China e a União Europeia pediram que Ruanda retire suas forças da região.
Os confrontos entre soldados congoleses e rebeldes em Goma, uma cidade com mais de um milhão de habitantes, deixaram mais de 100 mortos e cerca de mil feridos nos últimos três dias, segundo um balanço dos hospitais, que estão sobrecarregados.
Os rebeldes e as tropas ruandesas entraram na cidade no domingo e desde então assumiram o controle do aeroporto e da maior parte do centro.
Goma é a capital da província de Kivu do Norte e está localizada às margens do lago Kivu, próximo a Ruanda.
"Não houve combates", afirmou um representante da sociedade civil sob condição de anonimato. Vários moradores das localidades ocupadas confirmaram a chegada dos rebeldes. Nem o governo congolês nem o de Kinshasa confirmaram essas informações até o momento.
A RDC acusa Ruanda de querer saquear as muitas riquezas naturais da região. Ruanda, que nega, denuncia a presença de grupos hostis em território congolês.
"Há fome em Goma"
Mais de 500 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas desde o começo do ano, segundo as Nações Unidas, que alertaram para a escassez de alimentos, o saque da ajuda e a possível propagação de doenças.
Os habitantes começaram nesta quarta a sair de suas casas, uma vez que diminuíram os confrontos e bombardeios.
Mas nas ruas há muitos corpos, verificaram jornalistas da AFP e moradores da localidade, onde vivem centenas de milhares de deslocados.
O embaixador itinerante de Ruanda para a região dos Grandes Lagos, Vincent Karega, declarou à AFP que o avanço do M23 "continuará" em Kivu do Sul.
Inclusive não se descarta que os combatentes avencem para além do leste do país porque as forças congolesas estão concentradas em Goma, disse Karega.
Os Estados Unidos ordenaram nesta quarta-feira que seu pessoal diplomático que não presta serviços de emergência deixasse o país.
Manifestantes atacaram na terça embaixadas de vários países, incluindo os EUA, acusando-os de não intervir para deter o caos no leste da RDC. Os ataques ocorreram em Kinshasa, a capital, mais de 2,6 mil km a oeste.
O vasto país centro-africano é rico em ouro e outros minerais, como o cobalto, uma matéria-prima chave para a fabricação de baterias de alta performance, incluindo as usadas em smartphones e carros elétricos.
A RDC acusa Ruanda de realizar a ofensiva para se beneficiar dos minerais abundantes na região, coincidindo com especialistas da ONU, segundo os quais Kigali tem milhares de tropas no país vizinho e um "controle de fato" sobre o M23.
Ruanda nega estas acusações e Kagame nunca admitiu sua implicação militar, afirmando que o objetivo de Ruanda é fazer frente a um grupo armado, as Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR), criado por ex-líderes hutus que massacraram os tútsis durante o genocídio.
O M23 ocupou Goma brevemente no fim de 2012, antes de ser derrotado pelas forças congolesas e da ONU no ano seguinte.

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