Presidente da Argentina, Javier MileiLuis Robayo/AFP
Milei está no olho do furacão desde que anunciou na rede social X um projeto para financiar empresas locais, incluindo um link para o contrato digital para a compra de uma criptomoeda lançada no mesmo dia. Logo depois, apagou a mensagem, desligando-se da iniciativa.
Nesse intervalo, a moeda aumentou exponencialmente de valor. Os investidores originais a venderam com um lucro milionário, e o ativo despencou.
"Eu não a promovi; eu a divulguei", disse Milei ao canal TN, referindo-se à publicação apagada, que o fez ser acusado pela oposição, entre outras coisas, de obter informação privilegiada. "É um problema entre privados, porque aqui o Estado não tem nenhum papel", acrescentou.
"Alguém que vem e me propõe criar um instrumento para financiar projetos. Para mim, parece interessante", disse o presidente, defendendo-se como "um tecno-otimista fanático".
Um tribunal federal foi designado nesta segunda para centralizar as denúncias que pedem para apurar se Milei cometeu crimes como associação criminosa, fraude e descumprimento de deveres, entre outros.
"Denunciamos que Milei fez parte de uma associação criminosa que organizou uma fraude com a criptomoeda $LIBRA, afetando simultaneamente mais de 40 mil pessoas com perdas superiores a 4 bilhões de dólares (R$ 23 bilhões)", afirmou em comunicado a organização social Observatório do Direito à Cidade, cujos advogados estão à frente de uma das ações judiciais.
Milei afirmou que havia "muitíssimos robôs" entre os investidores, e que apenas 5 mil pessoas haviam participado.
Um escritório de advocacia informou hoje que apresentou uma denúncia ao FBI e ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Deputados opositores anunciaram que vão promover um julgamento político, uma comissão de investigação e a convocação do presidente para interrogá-lo.
A bolsa argentina caiu quase 6% no fechamento, devido às repercussões do escândalo. Os mercados de Nova York não abriram nesta segunda-feira.
'Uma brecha'
Germano não acredita que o impeachment prospere. "Isso é inviável hoje na Argentina", pois não reunirá os votos necessários. "A sociedade em geral continua apoiando o presidente, principalmente em um tema central, que foi a luta contra a inflação", que em 2024 foi de 117,8%, quase a metade do que no ano anterior.
Javier Smaldone, especialista em informática e influenciador digital conhecido por denunciar fraudes de pirâmide, disse à AFP que a operação de sexta-feira durou "mais ou menos duas horas". A principal denúncia registrada na Argentina inclui, entre outros, Julián Peh, CEO e cofundador da Kip Network e KIP Protocol - empresas que participaram da criação da $LIBRA -, e o presidente da Câmara dos Deputados, Martín Menem, que compartilhou a mensagem de Milei na sexta-feira no X.
A ação judicial acusa Milei e membros do seu partido de legitimar o token, fazendo seu preço subir e facilitando a obtenção de "um lucro exorbitante" para alguns. Também solicita uma busca na residência presidencial, a apreensão de dispositivos e uma análise da sua conta no X, incluindo "os registros dos tuítes apagados". Também houve 100 denúncias digitais.

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