Primeiro-ministro do Canadá disse que Trump impôs tarifas ao país para destruir a economiaAFP
Na ausência de um acordo, Trump alertou na segunda-feira que tarifas de 25% sobre exportações de bens de seus vizinhos, parceiros dos Estados Unidos no acordo de livre comércio T-MEC, exceto produtos energéticos canadenses que contam com uma taxa menor, seriam aplicadas em 4 de março.
O magnata republicano disse à imprensa que "não há margem" de manobra para evitar as tarifas que impôs inicialmente em 3 de fevereiro, antes de suspendê-las por um mês em busca de soluções para os problemas de migração e a entrada de drogas nos Estados Unidos.
"O que eles terão que fazer é construir suas fábricas de automóveis (...) e outras coisas nos Estados Unidos", disse.
Reação mexicana
"Decidimos responder com medidas tarifárias e não tarifárias que anunciarei em praça pública no próximo domingo", declarou a presidente Claudia Sheinbaum durante sua habitual entrevista coletiva matinal.
"Não é de forma alguma o objetivo iniciar um confronto econômico ou comercial, o que infelizmente é o oposto do que deveríamos estar fazendo, ou seja, integrar ainda mais nossas economias", acrescentou.
Na semana passada, o México entregou alguns de seus mais notórios chefões do tráfico presos aos Estados Unidos e enviou milhares de militares para a fronteira nas últimas semanas, entre outras medidas, em uma tentativa de evitar as tarifas.
A presidente disse que não há "nenhuma razão, fundamento ou justificativa" para apoiar a decisão do governo Trump de impor tarifas ao México.
"Nós dissemos isso de diferentes maneiras: cooperação e coordenação sim, subordinação e intervencionismo não. O México deve ser respeitado", enfatizou.
As tarifas afetarão o Canadá e o México em mais de 918 bilhões de dólares (5,36 trilhões de reais).
Golpe contra a China
"Se os Estados Unidos (...) persistirem em intensificar uma guerra tarifária, uma guerra comercial ou qualquer outro tipo de guerra, a parte chinesa lutará até o fim", disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
Washington critica a China por sua "incapacidade" de "combater a avalanche de fentanil", um opioide sintético que mata milhares de pessoas de overdose por ano nos Estados Unidos.
'Ameaça existencial'
Por isso, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, alertou que, se as tarifas entrarassem em vigor, seu país "responderia a partir da meia-noite aplicando tarifas de 25% sobre 155 bilhões de dólares (906 bilhões de reais) em produtos americanos".
O governo canadense garante que menos de 1% do fentanil e dos imigrantes que entram irregularmente nos Estados Unidos o fazem através de sua fronteira, mas ainda assim vem tentando agradar Trump, com um plano para melhorar a segurança fronteiriça e a indicação de um nome forte para coordenar a luta contra o fentanil.
Um porta-voz da União Europeia, Olof Gill, disse nesta terça-feira que as tarifas sobre o México e o Canadá "ameaçam cadeias de suprimentos profundamente integradas, fluxos de investimento e estabilidade econômica em ambos os lados do Atlântico".
Por isso, pediu aos Estados Unidos que "reconsiderem sua abordagem e, em vez disso, trabalhem em direção a uma solução baseada em regras que beneficiem a todas as partes".
Alta de preços
"Os aumentos de preços se aceleraram por causa das tarifas, o que provocou atrasos em novos pedidos, interrupções nos fornecedores e impactos nos estoques", declarou Timothy Fiore, encarregado da pesquisa sobre o índice ISM, que mede a atividade do setor manufatureiro.
Até o momento, as tarifas impactam, sobretudo, fabricantes dos setores químico, de transporte, máquinas, eletrodomésticos e alimentício.

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