Manifestantes exibiam cartazes e fuzis enquanto gritavam 'Morte aos Estados Unidos e a Israel'AFP

Milhares de pessoas tomaram as ruas do Iêmen nesta segunda-feira (17) para protestar contra os bombardeios dos Estados Unidos no fim de semana. Em áreas controladas pelos rebeldes huthis, manifestantes exibiam cartazes e fuzis de assalto enquanto entoavam gritos de "Morte aos Estados Unidos, morte a Israel", segundo imagens transmitidas pela rede Al Masirah.

Os protestos ocorreram na capital Sanaa e em outras cidades como Saada, Dhamar, Hodeida e Amran. O líder dos huthis, Abdel Malek al Huti, convocou a população a se reunir "em milhões" contra os ataques americanos.

EUA responsabilizam Irã e intensificam ofensiva
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que qualquer ataque dos huthis será tratado como um ataque direto do Irã. "Cada disparo dos huthis será considerado um disparo lançado por armas iranianas, e o Irã será considerado responsável", afirmou Trump em sua rede Truth Social. Segundo ele, Teerã fornece aos rebeldes "armas, dinheiro e equipamentos militares altamente sofisticados".

No sábado, Trump já havia alertado o Irã para interromper seu apoio ao grupo rebelde, ameaçando "o inferno" contra os huthis e seus aliados.

Desde o início da guerra em Gaza, os huthis têm atacado Israel e embarcações americanas e britânicas no Mar Vermelho, alegando solidariedade aos palestinos.

Mortes e retaliação no Mar Vermelho
Os bombardeios americanos do fim de semana atingiram Sanaa e outras regiões sob controle dos huthis, deixando 53 mortos, incluindo cinco crianças, e 98 feridos, segundo os rebeldes. Em resposta, os huthis reivindicaram um ataque ao porta-aviões americano USS Harry Truman e seus navios de escolta no norte do Mar Vermelho.

Os EUA, no entanto, não confirmaram a ofensiva rebelde. O Irã condenou os ataques americanos como "bárbaros" e ameaçou represálias em caso de novas ofensivas.

Escalada militar e reações internacionais
O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que suas forças "continuam com as operações" contra os huthis. A ONU pediu que ambas as partes cessem as hostilidades, enquanto a China defendeu o diálogo, argumentando que a situação no Mar Vermelho tem "causas complexas". A Alemanha também destacou que qualquer resposta aos ataques dos huthis deve seguir o direito internacional.

Segundo Washington, "vários importantes dirigentes huthis" morreram nos bombardeios.

O chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, alertou o chanceler russo, Serguei Lavrov, que "ataques contra embarcações militares e comerciais americanas no Mar Vermelho não serão tolerados". Em resposta, Lavrov pediu que todas as partes evitem o uso da força.

Os ataques huthis no Mar Vermelho impactaram significativamente o comércio global, levando os EUA a formar uma coalizão naval multinacional. A ofensiva americana contra os rebeldes tem contado, em algumas ocasiões, com apoio do Reino Unido.

Conflito prolongado e crise humanitária
Desde 2014, o Iêmen vive uma guerra devastadora entre os huthis, apoiados pelo Irã, e o governo reconhecido internacionalmente, que recebe suporte da Arábia Saudita. O conflito já causou milhares de mortes e mergulhou o país de 38 milhões de habitantes em uma das piores crises humanitárias da história, segundo a ONU.