Primeiro-ministro de Israel, Benjamin NetanyahuAFP/Vídeo

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, avisou nesta sexta-feira, 13, que a operação contra o Irã "ainda não acabou" e que não pode dizer quanto tempo a ofensiva vai durar. Em pronunciamento à nação divulgado nesta sexta, o premiê reforçou compromisso em proteger o país do que chamou de "regime do terror".

Segundo Netanyahu, o eventual desenvolvimento de bombas nucleares iranianas representaria uma ameaça existencial ao futuro dos israelenses. "Se o Irã tiver armas nucleares, nós não vamos existir aqui", alertou.

O primeiro-ministro assegurou ter informado os norte-americanos do ataque com antecedência. De acordo com ele, a expectativa era de que a operação ocorresse no final de abril, mas a data teve que ser adiada por "várias razões".
Os militares de Israel começaram a mobilizar soldados da reserva após terem iniciado ofensiva contra o Irã, de acordo com publicação das Forças Armadas israelenses (IDF, na sigla em inglês) feita nesta sexta.

"Como parte das avaliações defensivas e ofensivas em todos os setores, e com o início da Operação 'Am Kalavi', as IDF começaram a recrutar soldados da reserva de várias unidades para vários setores de combate em todo o país", diz o comunicado.
Ataque esperado

O ataque não foi uma surpresa. O governo israelense danificou o sistema de defesa aérea iraniano durante seus ataques ao Irã no ano passado e planejou durante meses aproveitar a fragilidade de Teerã para realizar novos ataques.

Prevendo uma escalada regional, os EUA retiraram diplomatas do Iraque na quarta-feira (11) e autorizaram a saída voluntária de familiares de soldados americanos destacados em outras partes do Oriente Médio.
Uma agência do governo britânico também alertou na quarta sobre uma escalada que poderia representar maiores riscos para navios no Golfo Pérsico.
O ataque foi um dos movimentos mais descarados em uma luta de décadas entre Israel e Irã que, até o ano passado, costumava ser conduzida por meio de operações secretas e não declaradas.

Durante anos, o Irã financiou milícias regionais que se opõem à existência de Israel e realizou ataques clandestinos contra a infraestrutura e os interesses israelenses.
Israel, que se acredita ser a única nação do Oriente Médio com armas nucleares, vê o programa nuclear iraniano como uma ameaça existencial e há muito tempo realiza seus próprios ataques secretos contra o programa nuclear, cientistas e outras infraestruturas iranianas

A guerra oculta veio à tona depois do ataque terrorista do Hamas em Israel no dia 7 de outubro de 2023. O ataque resultou tanto na guerra em Gaza quanto num confronto regional mais amplo, que coloca Israel contra o Irã e seus representantes, incluindo o Hezbollah no Líbano, grupos armados no Iraque e os rebeldes Houthi no Iêmen.

O ataque israelense a um complexo controlado pelo Irã na Síria em abril de 2024 levou Teerã a disparar uma enorme barragem de mísseis contra Israel. O Irã lançou um ataque semelhante no outono passado, depois que Israel assassinou Ismail Haniyeh, um líder do Hamas, durante uma visita ao Irã no verão passado, e depois matou Hassan Nasrallah, o líder do Hezbollah.
Instalações nucleares
O porta-voz do exército israelense (IDF), Nadav Shoshani, confirmou que Israel realizou ataques contra a usina nuclear de Isfahan, a 340 quilômetros ao sul de Teerã.Segundo Shoshani, os ataques são adicionais às operações realizadas mais cedo contra a usina de Natanz, a maior do Irã e a qual foi detectada contaminação nuclear, segundo a Organização de Energia Atômica do Irã (AEO, na sigla em inglês).
*Com informações do Estadão Conteúdo e AFP