Trump afirmou que a criação de um terceiro partido causaria "uma disrupção total e caos"AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou neste domingo o lançamento pelo empresário Elon Musk de um partido político em desafio ao "sistema de partido único" do país. O republicano também afirmou que espera fechar acordo sobre Gaza durante a semana.

Musk, um ex-aliado que se tornou um crítico de Trump, havia anunciado na véspera a fundação do Partido da América.

"Acho ridículo criar um terceiro partido", disse o republicano, antes de embarcar no avião presidencial rumo a Washington. "Sempre foi um sistema bipartidário, acho que criar um terceiro partido apenas contribui para a confusão. Terceiros partidos nunca funcionaram. Podemos nos divertir com isso, mas acho ridículo."

Mais tarde, na plataforma Truth Social, Trump disse que Musk havia saído "dos trilhos" e se tornado "um desastre" nas últimas cinco semanas. Ele afirmou que a criação de um terceiro partido causaria "uma disrupção total e caos".

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, sugeriu mais cedo que as empresas de Musk incentivariam seu dono a se concentrar nos negócios, em vez da política. "Acho que os conselhos de administração de suas empresas gostariam que ele voltasse a dirigi-las, já que, nisso, ele é melhor do que ninguém", disse Bessent à rede de TV CNN, ao ser perguntado se o anúncio de Musk preocupava o governo.

Bessent ressaltou que "os princípios" do chamado Departamento de Eficiência Governamental (Doge), que Musk dirigiu como parte dos esforços de Trump para cortar gastos públicos, são "muito populares", mas que, "se você olhar as pesquisas, Elon não era".

Musk deixou o Doge em maio, para se dedicar integralmente às suas empresas, já que as vendas e a imagem da fabricante de veículos elétricos Tesla foram afetadas pela incursão do empresário no círculo íntimo de Trump.
Acordo sobre Gaza
Trump disse que um acordo sobre Gaza está próximo. "Estamos perto de um acordo sobre Gaza", declarou. "Eu acho que há boas chances de chegarmos a um acordo com o Hamas durante esta semana, relativo a vários dos reféns [prisioneiros do grupo palestino]".
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está a caminho de Washington para tratar de um cessar-fogo no território palestino com Trump. Ao mesmo tempo, uma delegação israelense foi a Doha, no Catar, para negociações neste mesmo sentido. Antes de embarcar, Netanyahu disse que há 20 reféns vivos e 30 mortos.

Segundo a Associated Press, uma minuta do acordo de cessar-fogo obtida pela agência propõe 60 dias durante o qual o Hamas entregaria 10 reféns vivos e 18 mortos. Simultaneamente, as forças israelenses se retirariam para uma zona tampão ao longo das fronteiras de Gaza com Israel e Egito, e quantidades significativas de ajuda seriam fornecidas. O documento diz ainda que a ajuda seria distribuída por agências das Nações Unidas e pelo Crescente Vermelho Palestino.
* Com informações do Estadão Conteúdo e da AFP