Epstein foi acusado de ter abusado de mais de 250 meninas menores de idade e de operar rede de exploração sexualReprodução / X
Trump tenta apaziguar seus simpatizantes, parte deles inclinados a teorias da conspiração.
Mas por que o caso despertou tamanha indignação?
Na época, ele evitou acusações federais, que poderiam ter lhe rendido prisão perpétua, graças a um acordo judicial polêmico com os promotores. Ao todo, ele cumpriu menos de 13 meses de detenção.
Em julho de 2019, Epstein foi novamente preso em Nova York, acusado de tráfico sexual de dezenas de adolescentes com as quais teria mantido relações em troca de dinheiro.
Os promotores afirmam que alguns de seus funcionários atuaram como cúmplices para garantir um "fluxo constante de menores para exploração".
Epstein se declarou inocente. Em 10 de agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento em prisão preventiva, foi encontrado morto em sua cela.
As autoridades concluíram que se tratou de um suicídio por enforcamento.
Um julgamento contra sua ex-companheira, Ghislaine Maxwell, condenada em 2022 por ajudar Epstein a abusar de jovens, expôs os vínculos do investidor com figuras públicas como o príncipe Andrew, do Reino Unido, e o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton. Ambos negam envolvimento.
Essas suspeitas ressoam com força no movimento "Make America Great Again" (MAGA), lançado pelo presidente.
Mas os apelos por mais transparência ultrapassam as divisões partidárias.
A teoria central dessa suposta conspiração gira em torno da hipótese da existência de uma lista de clientes implicados em crimes sexuais ao lado de Epstein.
O governo Trump agora afirma que essa lista nunca existiu.
Céticos também desconfiam das circunstâncias da morte de Epstein, mencionando falhas nas câmeras de vigilância próximas à sua cela na noite de sua morte, além de outras irregularidades.
Mas desde que voltou à Casa Branca, parte de seus apoiadores se diz decepcionada por considerar que ele descumpriu a promessa.
Ele próprio foi envolvido em teorias da conspiração depois que seu ex-assessor Elon Musk afirmou em junho, em uma publicação apagada posteriormente na rede X, que Trump aparecia "no dossiê Epstein".
Uma série de documentos divulgados em fevereiro, com o objetivo de esclarecer o caso, trouxe poucas informações novas.
Além disso, um vídeo de quase 11 horas publicado neste mês para refutar as suspeitas de assassinato não convenceu.
As imagens mostram parte da prisão de Nova York onde Epstein morreu, mas parece faltar um minuto da sequência, o que alimentou ainda mais as especulações.
Um memorando publicado na semana passada pelo Departamento de Justiça e pelo FBI, afirmando que o "dossiê Epstein" não contém nenhuma prova que justifique nova investigação, gerou forte reação.
Desta vez, o presidente parece impotente diante da crescente inquietação de sua base.
As críticas se multiplicam, inclusive entre aliados que exigem mais transparência.
O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, se distanciou de Trump na terça-feira e pediu à secretária de Justiça, Pam Bondi, que torne públicos todos os documentos relacionados a Epstein.
Os democratas também exigem da administração Trump a divulgação completa dos materiais em posse dos promotores no âmbito da investigação sobre Epstein.

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