Paste de dente feita à base de cabelo foi desenvolvida por cientistas na InglaterraReprodução

Cientistas do King's College, de Londres (Inglaterra), revelaram uma descoberta altamente promissora: uma pasta de dente à base de queratina, proteína encontrada no cabelo, pele e lã, pode reparar o esmalte dentário e interromper a cárie em estágio inicial.
A pesquisa foi publicada esta semana na prestigiada revista 'Advanced Healthcare Materials'. Os pesquisadores demonstraram que, ao entrar em contato com os minerais presentes na saliva, a queratina forma uma estrutura mineral semelhante ao esmalte natural, criando um revestimento protetor que atrai íons de cálcio e fosfato, promovendo a regeneração gradual.

A queratina utilizada foi obtida da lã – uma fonte sustentável e biodegradável. Além disso, essa abordagem dispensa o uso de resinas plásticas tradicionais, muitas vezes tóxicas e menos duráveis.
De acordo com Sara Gamea, pesquisadora sênior do estudo, a queratina oferece uma alternativa transformadora aos tratamentos dentários atuais, com aspecto natural e compatível com a cor dos dentes.

O novo tratamento visa não apenas frear a erosão do esmalte, mas também aliviar a sensibilidade dentária ao selar os canais nervosos expostos.

Quando estará disponível no mercado?

Os autores acreditam que versões dessa pasta de dente ou géis profissionais já podem chegar ao mercado em até dois a três anos, dependendo de parcerias com a indústria e desenvolvimento regulatório.

A cárie dentária é uma das doenças mais comuns globalmente — atinge cerca de 90% dos adultos e 46% das crianças. A introdução de um produto capaz de regenerar o esmalte representa uma revolução na odontologia regenerativa, oferecendo uma alternativa a soluções paliativas como o flúor.

Essa descoberta representa um marco na conexão entre biotecnologia, sustentabilidade e saúde bucal. A ideia de crescer sorrisos mais fortes a partir de um simples corte de cabelo parece estar prestes a se tornar realidade.