Segundo pesquisadores, restam apenas vestígios arqueológicos e o depósito que abriga milhares de artefatos em GazaMohammed Abed - AFP
"É uma operação de alto risco, em um contexto extremamente perigoso para todos os envolvidos, é realmente um resgate de última hora", explicou à AFP Olivier Poquillon, diretor da instituição acadêmica fundada pelos frades dominicanos no final do século XIX.
Segundo ele, as autoridades israelenses ordenaram à Ebaf, na manhã de quarta-feira, que esvaziasse seu depósito arqueológico localizado no térreo de um prédio residencial na Cidade de Gaza, que poderia ser bombardeado em breve.
O exército israelense não confirmou esta informação.
Diversas fontes indicaram que a França — em particular através do seu Consulado Geral em Jerusalém —, a Unesco e o Patriarcado Latino de Jerusalém estiveram na linha da frente para resgatar este tesouro arqueológico, o que permitiu obter uma trégua de várias horas para colocá-lo em segurança.
O depósito continha aproximadamente 180 metros cúbicos de elementos recolhidos nos cinco principais sítios arqueológicos de Gaza, entre eles o mosteiro de São Hilarion, declarado Patrimônio da Humanidade.
Todos estes sítios sofreram danos, segundo a Ebaf, que demonstra preocupação com o futuro dos mosaicos "únicos", deixados ao ar livre apesar de sua fragilidade.
Segundo pesquisadores contactados pela AFP, no território palestino restam apenas vestígios, especialmente vulneráveis devido aos confrontos e bombardeios, e este depósito que abriga milhares de artefatos.
Embora por enquanto seja impossível realizar um inventário preciso, a Unesco já constatou, devido a imagens de satélite, "danos" em 94 sítios da Faixa, entre eles o palácio do Pasha, construído no século XIII.

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