Calor muito acima da média foi registrado em diversas cidades europeiasAlex Halada / AFP

Aproximadamente 16.500 pessoas podem ter morrido neste verão europeu em razão do calor intensificado pelas mudanças climáticas, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira (17). O cálculo foi feito a partir de modelos que projetam o impacto das altas temperaturas sobre a mortalidade, antes mesmo da liberação dos números oficiais.

O levantamento, conduzido por cientistas do Imperial College London em parceria com a London School of Hygiene & Tropical Medicine, integra a chamada "atribuição rápida" — metodologia que busca avaliar, de forma imediata, os efeitos do aquecimento global em eventos climáticos extremos.

De acordo com os pesquisadores, o calor entre junho e agosto deixou as temperaturas, em média, 2,2 °C mais altas em 854 cidades do continente. A coleta de dados aconteceu em 1º de junho e 31 de agosto.
Com base em dados históricos que relacionam temperaturas elevadas ao aumento da mortalidade, foi estimado um total de 24.400 mortes em excesso.

A comparação com um cenário sem os 1,3 °C adicionais de aquecimento atribuídos à queima de combustíveis fósseis revelou que cerca de 70% dessas mortes — o equivalente a 16.500 — estão ligadas diretamente ao impacto humano nas mudanças climáticas.

Segundo os autores, isso significa que o aquecimento global pode ter triplicado as mortes por calor registradas na Europa durante este verão.