Sarah Mullally, primeira líder mulher da história da Igreja AnglicanaBen Stansall / AFP
A escolha, aprovada pelo rei Charles III — autoridade suprema da Igreja Anglicana —, seguiu indicação do Colégio de Cônegos da Catedral de Canterbury, no sudeste inglês. Mullally assume no lugar de Justin Welby, que renunciou em novembro de 2024 após a condução de um escândalo de agressões físicas e sexuais.
Ex-enfermeira e mãe de dois filhos, Mullally deixou a profissão em 2004 para se dedicar integralmente ao sacerdócio. Agora, torna-se a 106ª pessoa a ocupar o cargo. Em comunicado, afirmou reconhecer a "grande responsabilidade" da função, mas disse sentir uma sensação de "paz e confiança em Deus" para exercê-la.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, comemorou a nomeação da primeira mulher para este cargo. "A Igreja Anglicana é de profunda importância para este país. Suas igrejas, catedrais, escolas e instituições de caridade fazem parte da estrutura de nossas comunidades", afirmou em um comunicado.
A nova arcebispa "desempenhará um papel fundamental em nossa vida nacional", acrescentou.
O último líder do anglicanismo mundial, Justin Welby, anunciou em novembro que deixaria suas funções em 6 de janeiro. Welby, de 68 anos, enfrentou dias de pressão para que renunciasse após as acusações de que sua instituição encobriu durante anos agressões físicas e sexuais contra menores por parte de um advogado vinculado à mesma.
O ex-arcebispo de Canterbury oficiou em vários eventos reais importantes nos últimos anos, como o funeral da rainha Elizabeth II e a coroação de Charles III.
Sua renúncia estava ligada ao caso de John Smyth, um advogado que presidia uma instituição de caridade ligada à Igreja Anglicana e que organizava acampamentos de férias.
Entre a década de 1970 e meados da década de 2010, Smyth abusou sexualmente de 130 crianças e jovens no Reino Unido e depois na África, particularmente no Zimbábue e na África do Sul, onde se estabeleceu e morreu em 2018, aos 75 anos, sem ser julgado.
A instituição foi oficialmente informada desses fatos em 2013, mas muitos membros já os conheciam desde a década de 1980 e os mantiveram em silêncio como parte de uma "campanha de encobrimento", concluiu uma investigação encomendada pela própria Igreja Anglicana.
O relatório também concluía que o arcebispo de Canterbury "poderia e deveria ter denunciado" à polícia a violência cometida pelo advogado a partir de 2013, quando se tornou primaz da Igreja da Inglaterra.

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