Donald Trump é um dos intermediários da guerra entre Rússia e UcrâniaAFP
Zelensky faz a terceira viagem a Washington desde que Trump retornou à presidência em janeiro, após uma desastrosa discussão exibida para todo o mundo em fevereiro e uma reconciliação em agosto.
O republicano não definiu sua posição sobre a guerra na Ucrânia.
A reviravolta mais recente aconteceu na véspera da visita de Zelensky. Após uma conversa telefônica com Putin, Trump anunciou que se reunirá com o presidente russo em Budapeste, em uma nova tentativa de acabar com o conflito iniciado com a invasão russa da Ucrânia em 2022.
Zelensky esperava que a viagem ajudasse a aumentar a pressão contra Putin, em particular com a aquisição de mísseis de cruzeiro Tomahawk produzidos nos Estados Unidos, com capacidade de atingir alvos a longa distância na Rússia.
O presidente ucraniano anunciou que se reuniu com representantes das empresas que fabricam os Tomahawk e os sistemas de mísseis terra-ar Patriot. "Falamos sobre possíveis formas de cooperação para fortalecer a defesa antiaérea da Ucrânia e suas capacidades de longo alcance", disse.
Mas Trump, que já chegou a declarar que conseguiria acabar com a guerra na Ucrânia em 24 horas, parece determinado a buscar um novo avanço diplomático após o acordo de cessar-fogo em Gaza que negociou na semana passada.
O presidente americano disse na quinta-feira que teve uma conversa "muito produtiva" com Putin e que os dois se reunirão na capital da Hungria nas próximas duas semanas. Ele acrescentou que espera manter reuniões "separadas, mas iguais" com os líderes russo e ucraniano, mas não revelou detalhes.
Zelensky disse na quinta-feira, ao desembarcar em Washington, esperar que o sucesso de Trump com o acordo entre Israel e o movimento islamista Hamas ajude a acabar com a guerra em seu país.
Ele insistiu que a ameaça de venda dos Tomahawk obrigou o Kremlin a negociar.
"Podemos ver que Moscou se apressa a retomar o diálogo assim que toma conhecimento dos mísseis Tomahawk", disse.
Nesta sexta-feira, a Rússia reivindicou a conquista de três localidades nas regiões de Kharkiv e Dnipropetrovsk (leste da Ucrânia), em áreas que Kiev havia recuperado há três, anos após uma contraofensiva surpresa.
"Vamos nos reunir em algumas semanas (...) na Coreia do Sul com o presidente Xi", à margem da cúpula da Apec, disse Trump ao programa "Sunday Morning Futures", da Fox News.
"Temos uma reunião separada", acrescentou o presidente, que deve chegar à Coreia do Sul em 29 de outubro para uma visita de dois dias. A cúpula termina em 1º de novembro.

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