Chanceler da Alemanha Friedrich MerzAFP

Durante um discurso no Congresso Alemão do Comércio, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, fez comentários que soaram depreciativos em relação ao Brasil. Ao exaltar as condições econômicas e sociais do seu país, ele citou a viagem recente a Belém, onde participou das tratativas que antecedem a COP30, e afirmou que os jornalistas que o acompanharam não demonstraram vontade de permanecer no local. Assista:
“Todo mundo ficou feliz por ter voltado pra Alemanha… principalmente por ter saído daquele lugar” 

Vocês acham que ele tá falando do calor ou da bagunça ???

Comenta aí e marca aquele amigo que já passou… pic.twitter.com/LF3y9SjiAF

"Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil: ‘Quem gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram satisfeitos por voltar para a Alemanha”, relatou Merz, usando o episódio para reforçar sua visão de que os alemães vivem "em um dos lugares mais bonitos e livres do mundo".

O chanceler aproveitou o evento para defender que o setor varejista se engaje na proteção da democracia e do modelo econômico alemão — uma fala que ecoa seu discurso político interno.

As declarações vieram pouco depois de Merz ter participado, em Belém, das reuniões preparatórias da Cúpula de Líderes da COP30. Na ocasião, ele se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a Alemanha pretende aportar um “valor significativo” ao Tropical Forests Forever Fund (TFFF), iniciativa brasileira voltada ao financiamento da preservação ambiental. A falta de um anúncio concreto, porém, frustrou interlocutores do governo. 
A formalização do montante deve ocorrer nos próximos dias. O TFFF pretende alcançar US$ 10 bilhões e já reúne compromissos de países como Noruega, França, Indonésia, Holanda e Portugal.

No discurso na Alemanha, Merz voltou a defender a ideia de que metas climáticas e crescimento econômico precisam caminhar juntas. "A Alemanha mantém seus compromissos climáticos, mas agora não faz mais política climática contra a economia — faz política climática junto com a economia”, afirmou.