Pelo menos 40 pessoas morreram durante operação de captura de Maduro, diz jornalLuis James / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, neste sábado (3), que o exército norte-americano realizou um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em uma rede social.
"Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea", escreveu Trump na Truth Social. 
O presidente informou que a ação foi conduzida em conjunto com as forças de segurança americanas, mas não relatou para onde Maduro e a mulher foram levados.
Segundo Trump, haverá uma coletiva de imprensa neste sábado às 13h (horário de Brasília) com mais detalhes sobre a operação. Ela será realizada em sua residência de Mar-a-Lago, no estado da Flórida.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que os bombardeios dos Estados Unidos ocorreram em várias regiões do país, incluindo a capital e que atingiram a população civil, ao mesmo tempo em que anunciou o "desdobramento massivo" de armas para a "defesa".
"Forças invasoras (...) profanaram nosso solo sagrado nas localidades de Fuerte Tiuna, Caracas, nos estados Miranda, Aragua e La Guaira, chegando a atingir, com seus mísseis e foguetes disparados de helicópteros de combate, áreas urbanas de população civil", disse o ministro.
Vídeos mostram fortes explosões que ocorreram na capital venezuelana, Caracas, por volta das 02h00 locais e que fizeram, inclusive, tremer as janelas em muitos bairros. Além disso, outros estrondos foram registrados em outras áreas do país.

As detonações continuaram na capital por cerca de uma hora, ao mesmo tempo em que se ouvia o que parecia ser o sobrevoo de aeronaves. Várias regiões do país estão sem eletricidade em decorrência dos ataques. Ainda não se tem um balanço das vítimas da ocorrência.  
"Vamos ativar um desdobramento massivo de todos os meios terrestres, aéreos, navais, fluviais e de mísseis. Sistemas de armas para a defesa integral", acrescentou Padrino López em um vídeo divulgado em suas redes sociais.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que desconhece o paradeiro de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, e exigiu uma "prova de vida" de ambos após o ataque dos Estados Unidos ao país caribenho.
"Diante dessa situação brutal e diante desse ataque brutal, nós desconhecemos o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores", declarou Rodríguez em um áudio transmitido pela televisão.
Conflito
O surpreendente anúncio do presidente dos EUA ocorre após meses de pressão militar e econômica cada vez maior por parte dos norte-americanos sobre Maduro e a Venezuela, dependente da exportação de petróleo, recurso do qual possui as maiores reservas do mundo.

Trump disse em dezembro que o mais "inteligente" seria que Maduro renunciasse e, posteriormente, afirmou que os dias no poder do líder venezuelano estavam "contados".

Captura do presidente da Venezuela ocorre ainda dois dias depois dele ter tentado iniciar conversas entre ambos, oferecendo cooperação no combate ao tráfico de drogas e à migração ilegal.

Trump apresentou diferentes argumentos para justificar sua campanha contra a Venezuela, entre eles a afirmação de que o país é um importante exportador de narcóticos para os Estados Unidos e de que a Venezuela se apropriou de interesses petrolíferos americanos.

O republicano não pediu explicitamente a destituição de Maduro, mas o governo dos Estados Unidos, junto com muitos países europeus, não reconhecia sua legitimidade após sua contestada reeleição em 2024.

Washington deslocou nos últimos meses uma enorme presença naval e aérea no Caribe, incluindo o porta-aviões USS Gerald R. Ford e outros navios de combate.

As forças americanas apreenderam dois petroleiros no mar como parte de um bloqueio petrolífero à Venezuela e mataram mais de 100 pessoas em ataques aéreos para destruir embarcações acusadas de tráfico de drogas.

Trump disse aos jornalistas na segunda-feira que os Estados Unidos haviam atacado e destruído uma área de atracação de supostas lanchas do narcotráfico, no que foi considerado o primeiro ataque em solo venezuelano da campanha.
*Com informações da AFP