O papa Leão XIV fez um discurso condenando a pena de morte, nesta sexta-feira (24). O pronunciamento do pontífice norte-americano foi realizado no mesmo dia da celebração do aniversário de 15 anos da abolição dessa penalidade no estado de Illinois (EUA). No mesmo dia, porém, o governo do presidente Donald Trump anunciou a volta dos pelotões de fuzilamento para execução de condenados.
Em evento realizado na Universidade DePaul, em Chicago, Leão XIV enviou uma mensagem de vídeo enaltecendo a abolição da pena de morte no estado de Illinois. Em 2011, Illinois foi 16° estado a extinguir essa prática. A decisão foi tomada ao observarem a falta de credibilidade do sistema de pena capital que, além de caro, corria o perigo de matar pessoas inocentes. Atualmente, são 23 os estados que não prevêem a punição.
"Afirmamos que a dignidade da pessoa não se perde, nem mesmo depois que crimes graves são cometidos. Além disso, sistemas eficazes de detenção podem ser e foram desenvolvidos para proteger os cidadãos, enquanto, ao mesmo tempo, não privam completamente os réus da possibilidade de redenção. É por isso que o Papa Francisco e meus predecessores recentes insistiram repetidamente que o bem comum pode ser tutelado e os requisitos da justiça podem ser atendidos sem recorrer à pena capital. Portanto, a Igreja ensina que a pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa", disse o papa em sua mensagem de vídeo.
A decisão de Trump
No mesmo dia da comemoração em Chicago, o governo anunciou a ampliação dos métodos de aplicação da pena de morte em casos federais, incluindo execuções por pelotões de fuzilamento. A sentença é aplicada normalmente em nível estadual, mas o governo federal também pode solicitar a execução para certos crimes, como terrorismo. Há atualmente 62 condenados no corredor da morte.
Em relatório, o secretário de Justiça interino, Todd Blanche, afirmou que as decisões do presidente anterior, Joe Biden, de restringir a pena capital, "causaram danos incalculáveis às vítimas de crimes". Segundo Blanche, o Departamento de Justiça voltou a autorizar o uso de pentobarbital para executar presos e permitirá métodos adicionais, como pelotões de fuzilamento.
O relatório acrescentou que o Departamento de Prisões deveria seguir o exemplo dos Estados que ampliaram seus protocolos de execução em meio a disputas sobre a legalidade e a disponibilidade de drogas para injeção letal. O senador democrata Richard Durbin, em consonância com a declaração do Papa, classificou as medidas como "uma mancha na história" do país.
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