Questões envolvendo o Estreito de Ormuz e o Líbano seguem entre os principais obstáculos às negociaçõesAFP

A televisão estatal do Irã informou, nesta quarta-feira (1º), que um navio estrangeiro de contêineres encalhou no Estreito de Ormuz após utilizar uma rota não aprovada por Teerã. As autoridades iranianas não divulgaram detalhes sobre a embarcação nem sobre possíveis impactos ao tráfego marítimo.
A divulgação, feita pela Press TV, ocorre em meio às tentativas do Irã de reforçar sua autoridade sobre a passagem estratégica, por onde transita cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural em tempos de paz. Desde o início da guerra, Teerã tem usado a possibilidade de restringir a navegação no estreito como instrumento de pressão, elevando preocupações nos mercados globais de energia.
O episódio também coincide com o início de negociações técnicas entre representantes do Irã e dos Estados Unidos em Doha, no Catar, voltadas à busca de um acordo permanente para encerrar o conflito. Segundo duas autoridades regionais ouvidas pela Associated Press sob condição de anonimato, os diplomatas começaram nesta quarta-feira a discutir os detalhes de um eventual entendimento, que depois dependeria da aprovação das lideranças políticas. Questões envolvendo o Estreito de Ormuz e o Líbano seguem entre os principais obstáculos às negociações. O governo iraniano ainda não confirmou oficialmente o início das conversas.
O principal negociador do Irã, Kazem Gharibabadi, reuniu-se nesta quarta com o primeiro-ministro e chanceler do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, para discutir a implementação do memorando de entendimento que prevê o fim da guerra, informou a mídia iraniana. Segundo Gharibabadi, embora já tenham sido criados grupos de trabalho para acompanhar a execução do acordo e negociar um entendimento definitivo, as negociações formais ainda não começaram e seguem em fase de consultas, por meio de mediadores.
Paralelamente, em publicação no X, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou o tom duro de Teerã ao afirmar que os termos do memorando de entendimento firmado em Islamabad são "claros" e advertiu que "qualquer ameaça contra nosso povo e nossa liderança receberá resposta imediata e poderosa".