Pelo menos 72 trabalhadores morreram em bombardeios aéreos contra uma mina de ouro na fronteira entre Sudão e Egito, informou neste domingo (11) um grupo sudanês de defesa dos direitos humanos.
A organização Emergency Lawyers acusou a força aérea egípcia de ter realizado o ataque. A AFP não conseguiu confirmar de forma independente essa versão, e o Egito não se pronunciou.

A fronteira entre Sudão e Egito é objeto de disputa, e os dois países reivindicam a soberania sobre o Triângulo de Hala'ib, uma região rica em recursos naturais.

Isso ocorre apesar de o Cairo ser um aliado importante do Exército sudanês, que está em guerra desde abril de 2023 contra o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido.

O ataque de sábado “causou a morte de 72 mineiros civis, segundo informações preliminares”, indicou a Emergency Lawyers, que documenta atrocidades cometidas durante a guerra no Sudão.

“Os ataques repetidos contra regiões fronteiriças ricas em ouro e minerais refletem o desejo das autoridades egípcias de se expandir e afirmar seu controle sobre os recursos naturais do Sudão”, acrescentou a organização.

Segundo um sobrevivente, Abdelaziz Yusef, uma aeronave começou a sobrevoar a mina, situada próxima ao mar Vermelho, às 8h locais de sábado e realizou “cinco bombardeios”.

Outra testemunha, Sharaf Ali, relatou à AFP que havia milhares de pessoas trabalhando na mina quando ocorreu o ataque. “Depois do bombardeio aéreo, as pessoas se dispersaram (...) por isso ninguém sabe exatamente quantos morreram”, explicou.