Mario Dias: uma homenagem ao legado deste saudoso e grande jornalista fluminenseReprodução
Mário Dias: Jornalista, Sambista e Cronista do Mistério
Mário era um verdadeiro entusiasta do samba e membro atuante dos Acadêmicos do Cubango desde sua fundação
Niterói - O saudoso amigo de todas as horas do jornalismo fluminense, Mário Dias, nasceu em São Gonçalo, em 21 de agosto de 1943, mas foi em Niterói que construiu sua carreira e identidade profissional.
Atuou em diversos veículos fluminenses como A Tribuna, O Fluminense, O Dia, Luta Democrática e fundou o Jornal de Icaraí com Jourdan Amora. Também trabalhou na TV Globo e na extinta TV Manchete. Por 18 anos, foi assessor de imprensa da Prefeitura de Niterói, durante as gestões de Jorge Roberto Silveira, João Sampaio e Godofredo Pinto.
Mário era um verdadeiro entusiasta do samba. Membro dos Acadêmicos do Cubango desde sua fundação em 1959, cobriu por quatro décadas os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Como produtor cultural, trabalhou com grandes nomes da MPB e do samba, como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Alcione, Jovelina Pérola Negra, Dudu Nobre e Arlindo Cruz. Também esteve à frente de eventos como a Micareta do Rio e do programa “Casa da Gente”, exibido em TVs regionais e na web.
O mistério das máscaras de Chumbo - Um dos episódios mais marcantes da carreira de Mário Dias foi sua cobertura do caso das máscaras de chumbo, ocorrido em 1966 no Morro do Vintém, em Niterói. Dois técnicos em eletrônica foram encontrados mortos, usando máscaras de chumbo e sem sinais evidentes de violência. O caso permanece sem explicação definitiva e ganhou notoriedade internacional. Mário cobriu o caso como repórter policial e mais tarde participou de programas como Linha Direta e entrevistas sobre o tema, tornando-se uma das principais vozes sobre esse mistério.
Faleceu em 24 de março de 2021, aos 78 anos, durante uma cirurgia para remoção de um tumor intestinal. Deixou três filhos: Soraia, Mário José e Luana Dias. Entre eles, Luana é a mais mencionada publicamente e parece ter seguido os passos do pai em termos de envolvimento com a cultura e comunicação. Mário Dias teve dois netos: Matheus e Charlote.
Luana Ramos Dias tem se destacado como a principal voz da família na preservação do legado de Mário. Em homenagens e entrevistas, ela expressa com emoção o impacto da perda do pai e seu amor por Niterói. Em uma publicação nas redes sociais, ela escreveu: “... e eu agora sou só mais uma mãe chorando na rua. Ou talvez sou só mais uma filha chorando na rua. As despedidas são dolorosas. São doloridas. Podem durar alguns minutos. Ou uma vida inteira". Ela também participou de cerimônias oficiais, como a proposta da Câmara de Niterói para nomear uma rua em homenagem ao jornalista, destacando que “Niterói era a sua paixão. Ele respirava a cidade 24 horas por dia e conhecia cada canto dessa cidade e em qualquer lugar tinha um amigo”.
Hoje ele dá nome à Praça Mario Dias, em Icaraí, próximo à rua Mem de Sá, numa iniciativa do ex-prefeito Axel Grael em homenageá-lo. Seu legado permanece vivo na memória cultural e jornalística de Niterói e do Brasil.

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