Vasco RodriguesDivulgação
Na Europa, onde surgiu o retrofit, a prática já é enxergada, há muito tempo, como ferramenta de desenvolvimento econômico e urbanístico. Em Lisboa, por exemplo, os incentivos para o retrofit proporcionaram a total transformação de mais de 7 mil edificações. O ICMS local foi reduzido de 23% para 6% para o retrofit de construções históricas, entre outros diversos benefícios. Como resultado, a cidade aqueceu a economia nos seus lugares mais antigos e degradados, trazendo uma nova vida a esses espaços urbanos esquecidos e marginalizados.
Aqui no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, esse prisma sobre o retrofit foi percebido recentemente, porém já colhe excelentes resultados. Com a aprovação da Lei Complementar 232, da Câmara Municipal, foi aberta uma fatia de mercado até então inexistente, e que vem se mostrando um excelente negócio sob o ponto de vista da incorporação. Em 2024, a cidade do Rio de Janeiro registrou quase 50 mil imóveis vendidos, o melhor resultado dos últimos cinco anos, e a projeção para 2025 é ainda maior, com a franca expansão do projeto pioneiro ‘Reviver Centro’.
Já Zona Sul, o antigo prédio da RioUrbe, adquirido pela Fator Realty, é um excelente case na para ilustrar o cenário favorável não só para o poder público, mas também para a iniciativa privada. Localizado no coração do Humaitá, a repartição pública era subutilizada e representava um alto custo de manutenção. Com a venda do edifício e a permissão para a implementação do retrofit, o bairro ganhará um residencial de altíssimo padrão que irá valorizar seu entorno e movimentar ainda mais a economia da região. Essa é uma tendência de mercado analisada pela Brain Inteligência Estratégica: no Rio, os lançamentos avançaram 35%, incluindo os retrofits, e as vendas cresceram 12,6% no primeiro semestre do ano passado.
Não podemos deixar de mencionar que, no contexto da engenharia civil, o retrofit simboliza ainda um engajamento com um futuro mais sustentável preservando insumos que seriam retirados da natureza a uma nova construção. Quem opta por adquirir um residencial retrofitado está em linha com a consciência ambiental coletiva, que vai além da reforma visual do imóvel, priorizando também a eficiência energética e climática como um aspecto central de suas escolhas.
Porém é necessário salientar que, é necessário ter, além da expertise na técnica de retrofit, o respeito ao legado de cada empreendimento. A escolha pelo retrofit é uma decisão que olha para o futuro sem esquecer do passado.

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