Isa Colli é escritora e jornalista Divulgação

Nas últimas semanas, tenho ficado incomodada com o desespero e a indignação de pessoas do meu convívio que dependem do dinheiro vindo das suas aposentadorias e sequer sabem se foram vítimas da fraude no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Os números são assustadores: centenas de milhares de idosos podem ter encolhido seus proventos devido a descontos não autorizados em seus benefícios. Para além do crime de estelionato, que deve ser investigado até o fim e os envolvidos punidos, acho uma crueldade enganar pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social, que já enfrentam mil problemas e estão mais suscetíveis a golpes pela dificuldade de lidar com a tecnologia. É desumano. É questão de má-fé! No dicionário, má-fé significa “disposição de espírito que inspira e alimenta ação maldosa, conscientemente praticada; deslealdade, fraude, perfídia”. O que está acontecendo é exatamente isso!

A Controladoria Geral da União fez uma pesquisa com uma amostra de beneficiários do INSS em todo o país e o resultado mostrou que quase a totalidade dos respondentes – 97,6% – não autorizou os descontos.

Escolheram seletivamente os alvos: na lista de pessoas enganadas predominam moradores de áreas rurais, pessoas com deficiência, doenças graves, indígenas e analfabetos. É preciso cobrar punição e reparação a quem foi lesado. Mais que isso: nós, cidadãos, não podemos deixar esse caso cair no esquecimento.

E em meio ao caos que já se instalou, podemos também cobrar dos parlamentares agilidade na aprovação de leis que endureçam as punições a essa modalidade de crime. Integrantes da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados se adiantaram e, durante audiência pública, logo após estourar o escândalo, fizeram sugestões para coibir e evitar fraudes no INSS. E quais são essas propostas? Elas precisam ser divulgadas e levadas adiante.

Esse escândalo nos mostra, ainda, que é urgente blindar as pessoas idosas dos crimes cibernéticos de uma maneira geral, em especial as mais carentes. Uma consulta recente do Instituto de Pesquisa DataSenado revela que entre a população que perdeu dinheiro por algum crime digital como clonagem de cartão, fraude na internet ou invasão de contas bancárias, mais da metade (51%) ganham até 2 salários-mínimos; 35% recebem entre 2 e 6 salários-mínimos; e 14% vivem com mais de 6 salários-mínimos por mês.

O Senado criou, há dois meses, a Frente Parlamentar de Apoio à Cibersegurança e à Defesa Cibernética com o intuito de desenvolver mecanismos para ajudar a combater esses crimes. A ideia é debater, conscientizar e criar através da interface público-privada um mecanismo para a sociedade se defender e se atualizar em matéria de segurança cibernética, segundo o presidente da comissão, Esperidião Amin (PP/SC).

Espero que todas essas iniciativas avancem a passos largos, com a urgência que a situação exige!

Isa Colli é jornalista e escritora