Antonio Carlos Marques FernandesDivulgação

Nos últimos dias, empresas e moradores de Palmas e Paraíso do Tocantins relataram terem sido vítimas de um suposto ataque cibernético. O golpe, segundo relatos, tem início com o envio de um arquivo compactado no formato “.ZIP” por números desconhecidos, via WhatsApp. Ao abrir o arquivo em computadores, muitos usuários relataram lentidão, falhas de desempenho e, em casos mais graves, clonagem de contas em redes sociais.
Esse tipo de ocorrência demonstra a sofisticação crescente dos crimes digitais e reforça a importância de adotar boas práticas de segurança cibernética. A disseminação em grupos empresariais e contatos pessoais aumenta o risco de que mais vítimas sejam afetadas, ampliando os danos tanto no âmbito individual quanto corporativo.

Implicações jurídicas
Do ponto de vista legal, a conduta configura crime previsto no artigo 154-A do Código Penal, que trata da invasão de dispositivo informático. Além disso, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) garante às vítimas o direito à proteção e à reparação em caso de violação de dados pessoais. Empresas que sofrerem impactos e não adotarem medidas adequadas de segurança podem, inclusive, ser responsabilizadas civilmente por eventuais prejuízos a clientes e parceiros.

Como se proteger

A prevenção é a melhor defesa contra esses ataques. É essencial:
•Evitar abrir arquivos ou links enviados por contatos desconhecidos;
•Manter antivírus e sistemas atualizados;
•Ativar a autenticação em duas etapas no WhatsApp e demais redes sociais;
•Buscar orientação jurídica e registrar boletim de ocorrência em caso de invasão ou clonagem.

Casos como este demonstram que o crime digital deixou de ser uma possibilidade remota para se tornar uma realidade concreta. Tanto empresas quanto cidadãos precisam compreender que a segurança da informação é responsabilidade compartilhada. A negligência pode gerar não apenas prejuízos financeiros, mas também implicações jurídicas sérias.
O momento exige vigilância, prudência e conscientização. Afinal, no mundo digital, um simples clique pode abrir a porta para grandes problemas.
Antonio Carlos Marques Fernandes é advogado especialista em Direito Digital