THAÍS BORGESVINICIUS_CAVALCANTE/ DIVULGAÇÃO
O seu lugar não precisa estar no espaço que te colocaram
O poder de ir além, de atravessar o que diziam ser impossível, sempre esteve presente na minha trajetória. Como mulher preta, nascida e criada na periferia da Zona Norte de São Paulo, aprendi cedo que os maiores muros não eram de concreto, mas de ideias, expectativas e experiências limitadas que tentavam me definir. Romper essas barreiras invisíveis foi — e continua sendo — um dos maiores desafios da minha vida, mas também a chave que me permitiu alcançar conquistas antes inimagináveis.
Por muito tempo, vivi aprisionada em padrões que a sociedade me impunha: o lugar que eu deveria ocupar, até onde poderia chegar, o que seria “adequado” para alguém como eu. Com o tempo percebi que muitas dessas limitações também nasciam dentro de mim. Quando acreditamos que não podemos ir além, reforçamos a prisão. Foi nesse ponto que compreendi a importância de “furar a bolha” — expressão inspirou o título do meu livro.
Furar a bolha significou atravessar limites invisíveis, questionar padrões, desafiar narrativas e ousar acreditar em novas possibilidades. Não foi fácil. Houve julgamentos, inseguranças e o medo do desconhecido. Mas descobri que coragem não é ausência de medo, e sim a decisão de seguir mesmo quando ele insiste em nos paralisar.
Escrever o livro também foi um ato de ruptura. Ao compartilhar minha origem e os obstáculos que enfrentei, quis mostrar que não há fronteiras definitivas. Cada capítulo foi escrito como quem abre uma janela, permitindo que outros também vejam que podem expandir horizontes. Não foi apenas sobre mim; foi sobre cada pessoa que já acreditou não ser capaz, sobre cada mulher pressionada a caber em moldes que não lhe pertenciam.
Minha trajetória profissional reflete isso. Da periferia ao comando de equipes e projetos de impacto, precisei provar repetidas vezes que era possível quebrar estereótipos e ir além das expectativas. Os erros, os olhares de dúvida e as pequenas vitórias que me empurraram adiante compuseram a jornada de quem decidiu não aceitar limites impostos.
Hoje vejo que furar a bolha não foi apenas um gesto de coragem: foi uma escolha de vida. Eu escolhi não me prender ao espaço que me foi dado, mas criar novos espaços, abrir portas, pavimentar caminhos e inspirar outros a atravessar seus próprios muros invisíveis.
Se há algo que desejo falar é que a transformação começa quando reconhecemos as barreiras que nos cercam e decidimos não aceitá-las. Cada vez que alguém escolhe atravessar seus medos, nasce ali um novo mundo de possibilidades.
Thaís Borges é conselheira da Ella Impacta,Investidora Anjo da Bossa Invest e autora do livro “Furei a Bolha” (Trend Editora)

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