Marcos Espínola 2025Divulgação

A segurança nas vias públicas precisa ser tratada de forma ampla e não apenas como caso só de polícia. A tragédia recente na Tijuca, com a morte de mãe e filho após atropelamento, escancara uma realidade negligenciada, na qual nossas ruas não são pensadas para proteger pessoas, mas para suportar fluxos desordenados. Estamos no ano 2026 e a estrutura urbanística carece de uma atualização urgente e que priorize a vida humana.
O problema começa pelo básico. Calçadas esburacadas, desniveladas e ocupadas irregularmente excluem idosos e pessoas com deficiência do direito de ir e vir. A acessibilidade ainda é tratada como exceção, quando deveria ser regra. Uma cidade que não acolhe seus cidadãos mais vulneráveis já nasce insegura. Tudo isso sem contar as mães com os seus bebês nos carrinhos que, muitas vezes, precisam ir para a rua pela obstrução da passagem ou a péssima condição da calçada.
A mobilidade também se tornou um fator de risco. O crescimento das bicicletas, inclusive elétricas, exige infraestrutura adequada. Sem ciclovias seguras e contínuas, ciclistas dividem espaço com ônibus e carros, aumentando o potencial de acidentes graves, como o ocorrido recentemente. A ausência de planejamento urbano transforma deslocamentos cotidianos em situações de perigo. Hoje, convivemos com motociclistas na contramão como se fosse algo normal, isso quando não utilizam a própria calçada e as passarelas. As elétricas no meio do trânsito que já e caótico. Uma verdadeira desordem.
A iluminação pública precária agrava esse cenário. Ruas mal iluminadas não apenas aumentam o risco de acidentes, como favorecem a criminalidade. A sensação de insegurança é grande, especialmente pela dinâmica dos crimes, como assaltos praticados por motociclistas, que têm se tornado mais frequentes e difíceis de coibir. Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP) apontaram crescimento de 13,6% nos roubos de rua em períodos recentes, evidenciando a volatilidade dos índices. Além disso, o estado chegou a registrar médias alarmantes, como dezenas de furtos de motos por dia, indicando a atuação de redes criminosas ágeis.
Diante desse cenário, a presença policial continua sendo fundamental, mas não suficiente. Segurança urbana exige integração entre planejamento, mobilidade, iluminação e políticas públicas consistentes. Garantir ruas seguras não é apenas reduzir estatísticas criminais, mas é permitir que todos circulem com dignidade. Sem calçadas adequadas, ciclovias eficientes, iluminação e policiamento, a população continua vulnerável e tendo seus direitos institucionais cada vez mais ameaçados.
Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública